Uma senhora de noventa e cinco anos levantou uma dúvida: “Por que, no meu tempo de colégio, as meninas, mesmo do colegial, não podíamos ler a bíblia”?
Considerações: Se as meninas não podiam ler a bíblia, é porque alguma coisa se esconde por trás das metáforas que a mulher, ao tempo da consulente, não deveria saber; ela poderia levantar questões de causar embaraços, dada a pouca abertura religiosa de então.
Resposta: diz a bíblia que primeiro veio o homem; a mulher veio depois; ela é está no meio entre Deus e o homem; está mais próxima de Deus; se a mulher se tornasse versada na leitura da bíblia, decerto ela:
- tomaria consciência de sua condição de intermediária, advogada do homem.
- perceberia sua inocência na trama que se estabeleceu contra ela, ao longo do tempo.
Isso aconteceu para amparar o homem; se a mulher soubesse dessas coisas, tê-lo-ia deixado de lado, em função do acentuado machismo e resistência masculina. É incumbência dela “esmagar a cabeça da serpente”; tirar o homem do sono e despertá-lo para as potencialidades do sopro que o Criador infundiu nele. A mulher fustiga o homem no lar para que ele aprenda a ouvir; seu machismo não o deixa comentar com os outros homens e ele se interioriza: vê sem reclamar; aprende a abdicar em favor da família; aprende a ceder pelo silêncio.
Muito do que se disse contra a mulher no velho e no novo testamentos foi no sentido de mantê-la afastada da ocupação religiosa, para que o homem não se percebesse menos dotado no exercício de lidar com o próprio espírito e praticar a doutrina que ela já tem dentro dela mesma.
Essas coisas tinham de ser veladas sobretudo ao feminino de um século atrás. Entende-se agora por que Maria Madalena não foi aceita entre os discípulos.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Objeção (Em 26/12/2005)
È proposta inicial que estes textos só discutam questões que se relacionarem com a interioridade humana; a objeção abaixo se relaciona com a interioridade humana; então a objeção abaixo deve ser discutida.
Objeção: - “O homem conta com a graça santificante; há homens que são iluminados pelo dom de Deus; não acredito que o homem possa conseguir a própria salvação, sem a ajuda de Deus.”
Resposta: - A graça está no vazio, no vácuo; o homem está em meio ao movimento; a graça não pode sair do vazio, entrar no movimento para “ajudar” o homem; o homem sim, precisa se esvaziar para que a graça preencha o vazio que ele fizer em si mesmo.
A graça está em disponibilidade como a água no copo; ela não vem até mim, sem minha adesão, sem meu esforço. Assim é a graça: ela está em disponibilidade e preenche qualquer espaço vazio; o vazio no homem se faz pela ausência de pensamentos, que acumulam desejos no coração.
Homens “iluminados pelo dom de Deus” são aqueles que encontraram Deus neles mesmos; Deus põe seus dons à causa de todos; se apenas alguns encontram esses dons, é injusto atribuir sutilmente discriminação a Deus, pelos dons que uns têm e outros não. A água do lago está em disponibilidade; se quero que ela venha até mim, tenho da abrir uma canaleta.
Deus não intervém em nossa vida; se Deus interviesse em nossa vida, teria intervindo na vida do Filho, num momento de suprema angústia e o Filho não precisaria ter dito: “Pai, por que me abandonaste”?
Objeção: - “O homem conta com a graça santificante; há homens que são iluminados pelo dom de Deus; não acredito que o homem possa conseguir a própria salvação, sem a ajuda de Deus.”
Resposta: - A graça está no vazio, no vácuo; o homem está em meio ao movimento; a graça não pode sair do vazio, entrar no movimento para “ajudar” o homem; o homem sim, precisa se esvaziar para que a graça preencha o vazio que ele fizer em si mesmo.
A graça está em disponibilidade como a água no copo; ela não vem até mim, sem minha adesão, sem meu esforço. Assim é a graça: ela está em disponibilidade e preenche qualquer espaço vazio; o vazio no homem se faz pela ausência de pensamentos, que acumulam desejos no coração.
Homens “iluminados pelo dom de Deus” são aqueles que encontraram Deus neles mesmos; Deus põe seus dons à causa de todos; se apenas alguns encontram esses dons, é injusto atribuir sutilmente discriminação a Deus, pelos dons que uns têm e outros não. A água do lago está em disponibilidade; se quero que ela venha até mim, tenho da abrir uma canaleta.
Deus não intervém em nossa vida; se Deus interviesse em nossa vida, teria intervindo na vida do Filho, num momento de suprema angústia e o Filho não precisaria ter dito: “Pai, por que me abandonaste”?
Pergunta sobre a luz (Em 26/12/2005)
“Se cada um tem sua própria luz por que a escuridão, se há a possibilidade de um clarão”?
A escuridão existe porque todos os homens trabalham com a atenção voltada apenas para as sombras, para um de seus lados; imagine você usando apenas o braço direito; o esquerdo tende a atrofiar; nosso lado de dentro está “atrofiado”; imagine uma balança; você põe peso apenas em um dos pratos; eles ficariam em desnível; nosso lado de dentro está em desnível; o homem dá primazia apenas ao lado de fora. São duas as correntes energéticas no homem; ele se utiliza apenas de uma: aquela da mente, a que circula pelo mundo; falta a outra corrente que flui pelo coração; sem a utilização das duas, não há equilíbrio; o interruptor de fazer que se encontrem as duas correntes é a vontade do homem; pela vontade, o homem une as correntes da mente e do coração e a luz se faz; a luz se manifesta pela sabedoria, visão, intuição, acuidade e outras.
Equilibrar mente e coração eis o requisito fundamental para que a luz se faça.
Este é o caminho; não há outro; pode haver nomenclaturas diferentes, estratégias diferentes, mas a realidade última está aí. Isso não é radicalismo; é valorização do homem porque só ele pode decidir sobre seu destino.
A escuridão existe porque todos os homens trabalham com a atenção voltada apenas para as sombras, para um de seus lados; imagine você usando apenas o braço direito; o esquerdo tende a atrofiar; nosso lado de dentro está “atrofiado”; imagine uma balança; você põe peso apenas em um dos pratos; eles ficariam em desnível; nosso lado de dentro está em desnível; o homem dá primazia apenas ao lado de fora. São duas as correntes energéticas no homem; ele se utiliza apenas de uma: aquela da mente, a que circula pelo mundo; falta a outra corrente que flui pelo coração; sem a utilização das duas, não há equilíbrio; o interruptor de fazer que se encontrem as duas correntes é a vontade do homem; pela vontade, o homem une as correntes da mente e do coração e a luz se faz; a luz se manifesta pela sabedoria, visão, intuição, acuidade e outras.
Equilibrar mente e coração eis o requisito fundamental para que a luz se faça.
Este é o caminho; não há outro; pode haver nomenclaturas diferentes, estratégias diferentes, mas a realidade última está aí. Isso não é radicalismo; é valorização do homem porque só ele pode decidir sobre seu destino.
Pergunta sobre a bíblia (Em 26/12/2005)
“Quem mandou fazer a bíblia? Onde está a autorização de Deus?”
São duas perguntas, a segunda responde a primeira: se existe uma “autorização de Deus”, é porque Deus autorizou, então foi Deus que mandou fazer a bíblia; essa dedução, no entanto, é falsa: ninguém mandou fazer a bíblia. Homens que intuitivamente esvaziaram o próprio coração, entraram em sintonia com os planos superiores e sentiram a necessidade de exteriorizar o que se passava dentro deles.
É voz corrente que nós temos dentro de nós as leis, o saber, a luz, a verdade e outros, que são atributos da alma; quanto mais nos esvaziamos de nosso eu e de nosso meu, quanto mais intenso for nosso silêncio interior, mais esses atributos são liberados pela alma, para que o homem os exprima por visões, ou por uma intuição aguda.
Os textos bíblicos foram escritos por homens que libertaram a própria alma e alcançaram um estado avançado de consciência.
Os textos bíblicos são o produto do esforço humano, no tirar de si todos os resquícios psicossomáticos, para que a verdade fluísse livremente.
Deus orientou os passos do homem pelos caminhos do mundo; jamais Deus entrou no homem que não fosse como resposta ao esforço do homem; os textos bíblicos são resultados de vivência interior, por isso nos identificamos com as realidades de que tratam.
A vivência interior não pertence a um tempo, a um lugar; a vivência interior é condição humana; é condição humana exprimir a verdade quando borbota de um coração esvaziado.
Os textos bíblicos são reflexos das luzes de que os diversos autores estavam imbuídos e se dispuseram a preparar a mente dos homens para o que haveria de vir, numa dimensão muito mais avançada rumo ao coração humano; num coração vazio é possível encontrar a autorização que Deus deu ao homem pelo sopro.
Se por um homem entrou o pecado no mundo, pelo homem individual teria de vir a redenção; os textos bíblicos refletem a busca inconsciente dessa redenção que seus autores já pressentiam anunciada pelo Cristo
São duas perguntas, a segunda responde a primeira: se existe uma “autorização de Deus”, é porque Deus autorizou, então foi Deus que mandou fazer a bíblia; essa dedução, no entanto, é falsa: ninguém mandou fazer a bíblia. Homens que intuitivamente esvaziaram o próprio coração, entraram em sintonia com os planos superiores e sentiram a necessidade de exteriorizar o que se passava dentro deles.
É voz corrente que nós temos dentro de nós as leis, o saber, a luz, a verdade e outros, que são atributos da alma; quanto mais nos esvaziamos de nosso eu e de nosso meu, quanto mais intenso for nosso silêncio interior, mais esses atributos são liberados pela alma, para que o homem os exprima por visões, ou por uma intuição aguda.
Os textos bíblicos foram escritos por homens que libertaram a própria alma e alcançaram um estado avançado de consciência.
Os textos bíblicos são o produto do esforço humano, no tirar de si todos os resquícios psicossomáticos, para que a verdade fluísse livremente.
Deus orientou os passos do homem pelos caminhos do mundo; jamais Deus entrou no homem que não fosse como resposta ao esforço do homem; os textos bíblicos são resultados de vivência interior, por isso nos identificamos com as realidades de que tratam.
A vivência interior não pertence a um tempo, a um lugar; a vivência interior é condição humana; é condição humana exprimir a verdade quando borbota de um coração esvaziado.
Os textos bíblicos são reflexos das luzes de que os diversos autores estavam imbuídos e se dispuseram a preparar a mente dos homens para o que haveria de vir, numa dimensão muito mais avançada rumo ao coração humano; num coração vazio é possível encontrar a autorização que Deus deu ao homem pelo sopro.
Se por um homem entrou o pecado no mundo, pelo homem individual teria de vir a redenção; os textos bíblicos refletem a busca inconsciente dessa redenção que seus autores já pressentiam anunciada pelo Cristo
Silêncio interior I (Em 19/12/2005)
Silêncio interior I
Foi desafio descobrir-se algo que apontasse a direção para o silêncio de dentro; foi desafio trabalhar a mente que se aquietasse; uma mente quieta nada quer, nada pede; dentro de nós não há o que desejar; agora temos o ponto de apoio que Arquimedes procurava: o ponto de apoio é o coração, conduzir a mente ao coração; aquietar a mente e fazê-la permanecer assim; aí está a senha. Quando a mente se aquieta, quando fica em silêncio, no silêncio do coração, a alma tem oportunidade de sintonizar suas origens.
Foi desafio descobrir-se algo que apontasse a direção para o silêncio de dentro; foi desafio trabalhar a mente que se aquietasse; uma mente quieta nada quer, nada pede; dentro de nós não há o que desejar; agora temos o ponto de apoio que Arquimedes procurava: o ponto de apoio é o coração, conduzir a mente ao coração; aquietar a mente e fazê-la permanecer assim; aí está a senha. Quando a mente se aquieta, quando fica em silêncio, no silêncio do coração, a alma tem oportunidade de sintonizar suas origens.
Silêncio interior II (em 19/12/2005)
Se fizermos o silêncio interior, vêm à tona muitos de nossos traumas psicológicos contraídos sobretudo na infância. Dentro de nós, eles se manifestam por: ódio, insegurança, nervosismo, doenças de fundo desconhecido; esses males entraram em nós pelo movimento, e levam o movimento para nosso lugar de repouso: o inconsciente; quando a mente se aquieta, eles perdem o ponto de apoio e se retiram, escapam ao silêncio, quanto maior for a intensidade de nossa concentração; somente assim a alma desperta nela mesma a sabedoria com que alimentar o nosso espírito.
Duvidas (Em 19/12/2005)
- desculpe a pergunta, mas seus textos chamando as pessoas para delas mesmas não
induzem ao egoísmo?
- não é esta a intenção. Egoísmo é apego; o sujeito valorizando em si mesmo qualidades que tem ou que imagina ter.
- mas, por exemplo: eu não gosto que mexam nas minhas coisas!
- ainda não é aí o egoísmo; isso pode ser prevenção: que não modifiquem a ordem de suas coisas; não desvendem segredos pessoais ou coisas assim.
- percebo. O egoísta se enche de pensamentos, ilusões; o intimista se esvazia de pensamento visando a alcançar o zero.
- egoísmo é exaltação de mim mesmo; é insensibilidade ante o desesperado; é a retenção mesquinha do que me excede.
- outra pergunta me surge: essas idéias não são apropriadas para monges?
- elas não distinguem classes e podem ser aplicadas desde o chão batido até o carpete.
- como surge o egoísmo?
- todos nós sofremos revezes que se acumulam em nosso inconsciente,ao longo da vida;
aquilo é um caldeirão fervendo; cada um deles se manifesta pela raiz com que foi plantado.
- sei. Se algum egoísta feriu meu inconsciente, essa ferida se manifesta com a mesma
qualidade e intensidade do ferimento.
- a prática viceja outras raízes.
induzem ao egoísmo?
- não é esta a intenção. Egoísmo é apego; o sujeito valorizando em si mesmo qualidades que tem ou que imagina ter.
- mas, por exemplo: eu não gosto que mexam nas minhas coisas!
- ainda não é aí o egoísmo; isso pode ser prevenção: que não modifiquem a ordem de suas coisas; não desvendem segredos pessoais ou coisas assim.
- percebo. O egoísta se enche de pensamentos, ilusões; o intimista se esvazia de pensamento visando a alcançar o zero.
- egoísmo é exaltação de mim mesmo; é insensibilidade ante o desesperado; é a retenção mesquinha do que me excede.
- outra pergunta me surge: essas idéias não são apropriadas para monges?
- elas não distinguem classes e podem ser aplicadas desde o chão batido até o carpete.
- como surge o egoísmo?
- todos nós sofremos revezes que se acumulam em nosso inconsciente,ao longo da vida;
aquilo é um caldeirão fervendo; cada um deles se manifesta pela raiz com que foi plantado.
- sei. Se algum egoísta feriu meu inconsciente, essa ferida se manifesta com a mesma
qualidade e intensidade do ferimento.
- a prática viceja outras raízes.
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