quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Descida ao Coração (Em 13/01/2006)

1 - Buscai, portanto, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo – Mt 6,33

Se temos de buscar o Reino de Deus, é porque esse reino está a nosso alcance;

Se é reino, aí habita um Rei; como o reino é de Deus, Deus habita no reino que devemos buscar;

Os verbos indicam ação a partir do presente porém, atualmente Deus não fala aos homens.

Podemos deduzir que Deus habita um reino de silêncio.

O homem só pode alcançar o silêncio pela mente

No cérebro, a mente não pode fazer silêncio porque está sujeita à lei do movimento,

Logo, é preciso deslocar a mente e “buscar”

Já sabemos que, quando a mente se desloca, faz-se a luz;

Feita a luz, nossos traumas psicossomáticos fogem dela;

Com a ausência de nossos traumas, os atributos de Deus dentro de nós que se achavam bloqueados retomam seu lugar por herança;

Na libertação dos atributos de Deus em nós está a prática da justiça.

Esclarecer (Em13/01/2006)

Dou-vos um novo que vos ameis uns aos outros como eu vos amei Jo 13,34 – 15,12

Cristo nos amou esclarecendo-nos, tirando de si tudo o que fosse de útil à nossa consciência; ele mesmo afirma: ensinei-vos tudo o quanto ouvi de meu Pai Jo 15,15. Já se percebe que o Cristo se esvaziou de todo saber; também nós devemos passar adiante tudo o que sabemos; em outra parte, ele afirma: os pecados contra o Espírito Santo não serão perdoados

Lc 12,10.

Peca-se contra o Espírito Santo quando se:

- induz uma mente inocente;

- retarda o desenvolvimento mental do outro por sonegação do saber.

Esses pecados não perdoados obrigam o espírito a voltar à terra para devolver o que levou daqui.

Por fim, os Cristo adverte os doutores: ai de vós, Doutores que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes, e impedistes os que vinham para entrar Lc 11,52. Esta ciência é a sabedoria; bloquear a entrada dos outros é mais grave ainda.

Há um outro aspecto sobre o qual precisamos refletir: todo saber retido agita-se dentro de nós; atua como se fosse um trauma: esse saber foi assimilado de fora para dentro, do mundo do movimento para o mundo do repouso; no mundo do repouso, ele promove a agitação que traz de sua origem.

Amarmos uns aos outros é nos esforçarmos por acender uma luz em nós mesmos, a fim de que o outro possa encontrar um referencial para a própria iluminação.

Oração (Em 08/01/2006)

3 - “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora em segredo a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se faz em segredo, recompensar-te-á” Mt 6.6

“Entra no teu quarto.”

O corpo humano tem três partes: cabeça – tronco – membros.

O quarto é o coração: quando quiseres orar, entra no coração e fica ali em silêncio.
Quando se faz silêncio no coração, afluem músicas sobretudo aprendidas na infância, afluem assuntos desagradáveis, desejos agudos e outros; é a faxina no coração; é só prosseguir com o silêncio.

“Teu Pai” é a Consciência de cada um, diferente em cada pessoa, proporcional ao silêncio, por abdicação que cada um fizer.

A oração, conforme o texto, consiste em entrarmos em sintonia com nossa Consciência pelo silêncio no coração. Só o ser humano pode criar espaços vazios que possibilitem a manifestação da Consciência Divina em nós.

O silêncio que nada pede é o silêncio que tudo alcança.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Espírito (Em 07/01/2009)

Meu espírito é o que eu sou; sabe o que eu sei; é minha imagem impressa na energia de que me utilizo; meu espírito sou eu. Não confundir com o Espírito de Deus nem com o Espírito Santo; esses atuam de cima para baixo; meu espírito atua de baixo para cima; cada entidade tem seu espírito; nós somos entidades com o espírito em formação; para tanto, precisamos saber que:

a – a luz, a sabedoria, a consciência emanam da alma para o espírito, quando este pratica ações com as quais ela se identifica: esvaziamento, verdade, o amor, justiça e outras.

b – todo saber assimilado por um espírito precisa ser passado a outras consciências; reter um saber que seria útil ao desenvolvimento espiritual de alguém é romper com a alma; o espírito terá de voltar a este plano para restabelecer o elo perdido.

c – as ações, boas ou más, de cada espírito impregnam a energia de que ele se utiliza; passando para o outro lado, ele terá de se haver com essa energia na qual estão impressas suas marcas.

e - quando um espírito encosta, ele esquece seu passado; permanecem apenas vínculos
inconscientes de suas experiências anteriores; elas se manifestam por: força, doenças,instintos; há outras manifestações por intuição; essas são tidas como dons.

f – essas idéias pretendem ater-se exclusivamente ao campo da orientação, apontar
Procedimentos que despertem no espírito a consciência de si mesmo.

Espírito que dorme (Em 07/01/2009)

Fala-se de espíritos em estado de dormência ; falta a eles a consciência de seu estado; perderam o ponto de referência em si mesmos. Uma história da Internet ilustra o assunto: o Cristo resolveu descer à terra; trabalhar num hospital público; uma longa fila; um único médico cansado, estafado. O Cristo se dispôs a substituí-lo.

- entre o próximo paciente!

Entrou um sujeito esquálido e torto, numa cadeira de rodas, movendo-a com extrema dificuldade.

- levanta, pega tua cadeira e vai para tua casa!

Levantou-se, pegou a cadeira saiu. Os da fila lhe perguntaram como era o novo médico.

- igualzinho aos outros; nem se levantou para me examinar!

Aquele espírito estava preso à tradição dos que só criticam; por falta de referencial interno, não se identificou com a verdade; é que a verdade possui um brilho que aprofunda o sono dos que estão dormindo como aquele que nem se percebeu curado.

Espírito desperto (Em 07/01/2006)

A professora passou tarefa para pesquisa sobre as sete maravilhas do mundo. No dia aprazado, sete grupos afinados nas exposições, fotos, cartazes: as pirâmides, a muralha, o canaltudo certinho, tudo recheado de história e memória.

Lá no fundo, a Ana Luisa, entre duas olheiras, esbanjava sensibilidade; uma corda de violino naquela confusão loquaz.

- E você Ana, não fez o trabalho!

- Fiz professora, mas acho que...

- ...deixe-me ver.

O caderno. Oito folhas de letra bem cuidada, requintes de ilustração: a professora folheou as páginas, sintonizou aquela sensibilidade exposta e leu para a classe: “as sete maravilhas do mundo são:”

ver – ouvir – sentir – provar – tocar – rir – amar.

A sala se pôs num silêncio grosso.

A menina estabeleceu uma progressão de fora para dentro:

1 - os órgãos dos sentidos, exteriores, de aplicação no mundo;

2 – o rir, é já uma expressão de dentro para fora;

3 – o amar que se realiza nos espíritos de estreita relação com a própria alma.

Os espíritos daqueles grupos se ativeram aos atributos exteriores: os sentidos e a

memória; tudo cópia; nada expuseram de si mesmos.

A Ana passou pelos sentidos e avançou para dentro de si mesma; um espírito versado no roteiro que devemos encetar, rumo ao mundo do coração, onde se encontram todas as maravilhas

O Homem (Em 03/01/2006)

O homem se edifica pelo que pensa; afirma-se que pensar é um ato de liberdade; mas o pensamento do homem ainda não explorou as duas dimensões do ser humano; o homem não foi orientado a descer a sua interioridade, não pode ser livre. Dentro dele gritam os conflitos de atuar com apenas metade de seu potencial.

Ao longo do tempo, ele vem sendo avaliado por seu poder de força, pelas decisões e bravuras, pelas resoluções rápidas; acontece que essas valorizações estimulam o homem sempre mais para o lado de fora e ele se distancia de sua interioridade.

A razão é outro fator de manter o homem afastado dele mesmo; a razão lida com fatos concretos, submete tudo à lei de causa e efeito; a razão limita o campo de atuação da mente humana porque quer respostas concretas e o concreto é exterior ao homem.

O homem não foi estimulado a descer com a mente a coração. Resulta disso que ele não sabe se verticalizar; precisa de ambiente propício ou de convivência duradoura com uma mulher: mãe, filha, irmã, esposa, ou outra.

Verticalizar-se é descer com a mente ao coração e aí auscultar a segunda dimensão de si mesmo; como o homem já atua no mundo do movimento, aquele que se verticaliza equilibra os pratos da balança; o homem procura a paz do lado de fora de si mesmo, mas a paz é interior.

O primeiro homem tinha acabado de sair das mãos do Criador; este lhe fez a advertência sobre não comer do fruto da árvore; a mulher não existia ainda!

A intenção do Criador era que, tendo acabado de ser feito, o homem ainda estava zero
quilômetro, ainda estava dentro do coração; a advertência foi para que ele não saísse do coração;