terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A memória (Em 05/11/2006)

A mente é composta de três atributos: memória, razão e inteligência.

Nós estamos utilizando maciçamente a memória; mas a memória atua apenas no plano horizontal passado e futuro; passado e futuro são realidades fora de nossa realidade; por estarem fora de nossa realidade, passado e futuro nos causam euforia ou temor, pelas profecias tecidas pela mente.

Quando nos utilizamos da memória, a mente se desloca de nós para o lugar onde o acontecimento se verificou e no tempo em que se verificou; nós ficamos como que esquecidos; fora da aplicação que estamos operando.

A mente retorna e não traz qualquer vínculo com o acontecimento de que se ocupou; o fato se dilui; é história; não é de meu tempo; eu nada posso alterar. O que eu posso fazer a respeito de um homem chamado Adão que foi expulso de um certo paraíso? Já faz uns três mil anos ou mais e ninguém consertou, não serei eu que vou consertar!

A utilização exclusiva da memória nos torna acomodados, indiferentes, insensíveis, omissos, alienados, medrosos, inseguros, sem imaginação, sem criatividade, intransigentes, donos da verdade.

A memória é atributo de primeiro grau; a razão de segundo e a inteligência de terceiro grau. Inteligir é relacionar, interligar, interpretar.

A memória precisa ser complementada pela inteligência. A memória destacando o fato; a inteligência relacionando esse fato também, com nossa vida interior.

Assim perceberíamos que Adão é nosso espírito e esse paraíso, nossa interioridade; pelo uso abusivo da memória, nosso espírito fica tão distanciado de nós quanto Adão.

Como não se relacionam os assuntos estudados com o ser humano, inteligir passou à condição de apenas relacionar coisa com coisa, espécie com espécie; o prefixo “in” perdeu o conteúdo de interiorização, aprofundamento vertical.

É só observar os conferencistas, os professores, os oradores; eles conduzem suas abordagens pelo âmbito da memória e, quando relacionam, relacionam coisa com coisa; a formação do homem fica relegada.

Veja isso na faculdade: o catedrático indica 10 ou mais livros; qualquer participação do aluno nos debates tem de ser fundamentada naqueles livros e o estudante fica à margem do próprio estudo, porque sua condição humana não é considerada.

São sete os atributos de que o ser humano pode se utilizar: memória, razão, inteligência, verdade, justiça, amor e sabedoria. Nós estamos emperrados ainda no primeiro atributo.

O defeito não está na memória; o defeito está na preferência com que a utilizamos; a solução não é descartar o atributo da memória; a solução é incluir os demais.

Súplica (Em 05/11/2006)

Senhor, ensina-me qual a orientação que devo dar a meu espírito.

Se ele segue apenas com o que aprendeu em vida Pai, o que ele aprendeu?

Se não aprendeu, o que aprender?

Fora deste plano, ele se despoja de corpo e alma?

Como se manter tão limitado?

Ensina-me meu Pai, a discernir o melhor para meu espírito.

Eu não tenho acesso às leis que gravaste em meu coração; saí de lá sem saber.

A solução é voltar? Como voltar?

Ou aqui de fora eu posso saber sobre essas leis?

Conduzir meu espírito de fora para dentro a ler no coração.

Está certo?

Fora deste plano, o espírito é encaminhado conforme os dons que desenvolveu na terra?

Quais são esses dons? Se são desenvolvidos por opção, com que critério ele optou?

Que discernimento ele tinha para optar por esse ou aquele dom? E se ele não optou por nenhum?

Que visão lhe faltou para desenvolver-se mais?

Eu nada quero, nada pleiteio senão tua sintonia por meu espírito, Pai.

Ou esse querer ainda é um querer que retém o espírito?

A Consciência Divina está solta em todo espaço; em nada se apega; nada a sustenta.

É assim que tenho de viver, quanto mais solto?

Se estar solto é estar vazio, quanto mais vazio, mais plenificado pela consciência?

O que o espírito precisa fora deste plano é de mais consciência?

Pela consciência, todos os atributos se tornam disponíveis? É isso?

Para estar em qualquer plano, Pai, o que vale é o nível de consciência?

Mas ainda resta uma dúvida Pai, como adquirir consciência?

A consciência em mim é inativa?

Como ativá-la por meu espírito?

Pelo silêncio das vozes de dentro, alcançar o silêncio interior?

Ou só o vazio basta a meu espírito.

Se o espírito não dispuser de alma nem de corpo, a consciência lhe será tudo?

Se para adquirir consciência eu preciso esvaziar-me, quanto mais vazio, mais livre para entrar no imenso balão vazio da consciência?

Sê-me propício, Senhor.

Texto - suporte (Em 27/10/2006)

Escreva ou pesquise um texto curto sobre assunto com o qual você se identifica; decore-o; e recite todo dia; com o tempo, você irá incorporando a seu texto situações que vai vivenciando; seu texto vai crescendo e você passa a dominar bem um assunto; pelas relações que ele estabelece assim se forma um homem culto.

A palavra “cultura” está em nosso inconsciente, relacionada à agricultura e somos induzidos a pensar em cultura de trigo, de algodão, de cana e muitas outras culturas.

Para que você alcance essa cultura, terá de cavar a terra, plantar a semente regar e esperar os frutos de sua plantação; o mesmo se dá com seu texto: cavar a terra é buscar, dentro de si mesmo, a identidade com o texto de sua escolha; plantar a semente é introduzir o texto em você mesmo, decorar; regar é repetir o texto constantemente.

Não raro, você precisa colocar adubo, eliminar algum parasita, também no nosso texto o adubo são as relações que você vai estabelecendo entre suas vivências e seu texto; já os parasitas são aquelas atitudes, aqueles expedientes que não encontram respaldo no conteúdo de seu texto.

Um homem culto é aquele que plantou em si mesmo um saber e agora esse saber aflui com idéias que não raro, surpreendem a ele mesmo.

A essas respostas que vêm de dentro Fernando Pessoa chamava de “ressonâncias”, caixa de ressonâncias, a perfeita identidade da realidade de fora com nossa realidade interior. Charles Baudelaire se referia a elas como sendo as “correspondences”, relações de dentro e fora.

Se você estuda letras, dedique-se, com afinco, ao estudo da Semântica. A Semântica estuda as intenções, aquilo que não foi dito, mas que você percebe por trás do que é. Estudar Semântica é plantar a semente; ela com certeza dará frutos excelentes.

Qualquer estudo partiu do homem para as coisas; então a base de todo estudo está no homem. Toda ciência tem um postulado base; esse postulado é que deve ser muito bem sabido na ciência a que você se dedica; dele partiram as relações; se essas relações foram estabelecidas de dentro para fora do homem, agora você pode reconstituí-las de fora para dentro.

Você pode estudar diversos assuntos para atender suas lides profissionais, estudantis; mas você deve ter um texto seu de sua vivência, de seu refúgio, para recitar no ônibus, no avião, onde quer que esteja, de tal modo deve sua persistência que já se passaram vinte, trinta anos e você continua buscando novas relações com seu texto.

Você poderá me argüir: mas esse texto não perde a atualidade? Se você cavou a terra antes de plantar, o texto não perde a atualidade porque a interioridade humana não muda; o que mudam são as teorias ao redor dela.

Um texto bem plantado, que já alcançou o inconsciente é o melhor dos guias, o amigo sempre presente onde você estiver.

Pense nisso e aja a seu favor.

Texto suporte - complementação (Em 27/10/2006)

Os chineses plantam sementes de bambu; depois de plantada, a semente permanece por cinco anos sedimentando suas raízes na verticalidade da terra, sem que nada seja visto; todo o crescimento é subterrâneo; cinco anos depois ele cresce até atingir a altura de 25 metros.

Viu? É assim que se planta um texto: o bambu fura o chão à procura de umidade; o texto fura o inconsciente à procura da consciência; assim que a alcance, não precisará de cinco anos, seu texto será o fio condutor interno; algo que canaliza as boas idéias com que você se superar em qualquer atividade.

Profecias - Respondo (Em 20/10/2006)

Você fala a respeito de profecias que circulam pela Internet?

O futuro a Deus pertence.

Não discuto o mérito dessas profecias, não. Sou contra essa espécie de “terrorismo” que só vem expor ainda mais as cicatrizes das incertezas que circulam pela cabeça de muitos.

Não se pode ignorar a similaridade delas com as previsões da ciência: catástrofes terríveis em decorrência do desequilíbrio do planeta; não há como evitá-las porque tudo é causa e efeito; ação e reação; a natureza vilipendiada por cima, pelo meio e por dentro, não consegue segurar a barra.

Por cima, é a poluição do ar, inclusive o lixo de milhares de toneladas que as espaçonaves deixam no espaço; pelo meio, é a devastação; precisa citar números? Não. A coisa é a olho nu; por dentro são as experiências atômicas. Há uns cinco anos, a França fez, se não me engano, sete experiências subterrâneas com bombas atômicas; todo mundo já esqueceu isso, mas as contrações no útero da terra perduram na busca de assimilarem os impactos; agora a Coréia engrossa o cordão dos que invocam as tsunames que se prenunciam nessas profecias.

Um desses “profetas” se dá ao luxo de registrar em cartório aquilo que afirma; não se trata de pessoa ingênua, a ponto de não saber que esses registros poderão servir de testemunhas contra ele em processo de alguém que se sentir prejudicado.

Sei que tudo isso você já sabe; você quer minha opinião; você sabe também que eu me ative sempre a emitir opinião sobre a interioridade humana, dando ênfase ao aqui e agora. Não será diferente nesta questão.

Nós não estamos no ontem, nem no amanhã; nossa realidade é hoje, agora; no instante que estamos vivendo, sem a preocupação com o futuro; nós não estamos no futuro porque, se estivéssemos lá, estaríamos fora de nossa realidade atual e, se o dono da casa deixa a casa, vem o ladrão e saqueia tudo; o ladrão de nossa casa é o medo, a insegurança, a doença.

Um sujeito em alto mar, sob ondas violentas, não está pensando com o futuro; as providências têm de ser tomadas agora: agarrar-se ao mastro; o mastro de nossa viagem deve ser o agora; agarrar-se a ele, sem nos preocuparmos com as ondas, porque nada podemos fazer e, como dizia Goethe, “só nos resta segurar vigorosamente as rédeas e nos desviar aqui de um rochedo, ali de um abismo. Para onde se vai nessa louca disparada? Quem sabe, se mal sabemos de onde viemos?”. Perceba como o autor se fixa no agora com as palavras “aqui” e “ali”; aqui é o lugar onde você está agora; se você vai se desviar de um precipício, isso só acontecerá quando você estiver ali; quando você estiver lá, “ali” também será o agora. As rédeas são o agora, o único tempo de nos defendermos contra os rochedos e abismos, também formados pelas ondas gigantes.

As profecias também terão o seu agora, mas o agora das profecias é dispersão; o nosso agora é concentração.

Na literatura ocidental, nosso modelo é Cristo. Quem mais se manteve no agora? “vigiai e orai para não cairdes em tentação”. Podemos vigiar no futuro ou no passado? “Vigiai” significa estai atentos agora; “não cair em tentação” é não ter medo; não alimentar a insegurança. Isso se faz no agora. São Paulo diz que nós devemos nos advertir uns aos outros para vivermos em alegria num tempo que chama “hoje”. Entre muitas outras citações, cabe lembrar as parábolas de Cristo; elas são contadas num tempo passado para que nós façamos o exercício de nos situarmos no presente e encontrar dentro de nós as repercussões de sua mensagem.

Se as profecias que rondam por aí não encontram ressonância positiva em nosso interior, é porque elas não pertencem a nosso agora; saiamos delas com a consciência de que o futuro a Deus pertence.

Profecias - complementação (Em 20/10/2006)

"Havia uma garota que se odiava pelo fato de ser cega!
A única pessoa com quem se identificava era do namorado.
Se pudesse ver o mundo, casar-se-ia.
Em um dia de sorte, alguém doou um par de olhos a ela!
Então seu namorado lhe perguntou:
Agora você pode ver, quer casar-se comigo?
A garota ficou chocada quando viu que seu namorado era cego!
Disse então: sinto muito, não posso me casar com você porque você é cego!
Derrotado, o namorado se afastou dela e ainda disse:
Por favor, apenas cuide bem de meus olhos. "

Texto - suporte (Em 17/10/2006)

Escreva ou pesquise um texto curto sobre assunto com o qual você se identifica; decore-o; e recite todo dia; com o tempo, você irá incorporando a seu texto situações que vai vivenciando; seu texto vai crescendo e você passa a dominar bem um assunto; pelas relações que ele estabelece assim se forma um homem culto.

A palavra “cultura” está em nosso inconsciente, relacionada à agricultura e somos induzidos a pensar em cultura de trigo, de algodão, de cana e muitas outras culturas.

Para que você alcance essa cultura, terá de cavar a terra, plantar a semente regar e esperar os frutos de sua plantação; o mesmo se dá com seu texto: cavar a terra é buscar, dentro de si mesmo, a identidade com o texto de sua escolha; plantar a semente é introduzir o texto em você mesmo, decorar; regar é repetir o texto constantemente.

Não raro, você precisa colocar adubo, eliminar algum parasita, também no nosso texto o adubo são as relações que você vai estabelecendo entre suas vivências e seu texto; já os parasitas são aquelas atitudes, aqueles expedientes que não encontram respaldo no conteúdo de seu texto.

Um homem culto é aquele que plantou em si mesmo um saber e agora esse saber aflui com idéias que não raro, surpreendem a ele mesmo.

A essas respostas que vêm de dentro Fernando Pessoa chamava de “ressonâncias”, caixa de ressonâncias, a perfeita identidade da realidade de fora com nossa realidade interior. Charles Baudelaire se referia a elas como sendo as “correspondences”, relações de dentro e fora.

Se você estuda letras, dedique-se, com afinco, ao estudo da Semântica. A Semântica estuda as intenções, aquilo que não foi dito, mas que você percebe por trás do que é. Estudar Semântica é plantar a semente; ela com certeza dará frutos excelentes.

Qualquer estudo partiu do homem para as coisas; então a base de todo estudo está no homem. Toda ciência tem um postulado base; esse postulado é que deve ser muito bem sabido na ciência a que você se dedica; dele partiram as relações; se essas relações foram estabelecidas de dentro para fora do homem, agora você pode reconstituí-las de fora para dentro.

Você pode estudar diversos assuntos para atender suas lides profissionais, estudantis; mas você deve ter um texto seu de sua vivência, de seu refúgio, para recitar no ônibus, no avião, onde quer que esteja, de tal modo deve sua persistência que já se passaram vinte, trinta anos e você continua buscando novas relações com seu texto.

Você poderá me argüir: mas esse texto não perde a atualidade? Se você cavou a terra antes de plantar, o texto não perde a atualidade porque a interioridade humana não muda; o que mudam são as teorias ao redor dela.

Um texto bem plantado, que já alcançou o inconsciente é o melhor dos guias, o amigo sempre presente onde você estiver.

Pense nisso e aja a seu favor.