sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Invocação 1/3 (Em 06/09/2007)

- Senhor,

O que fazer da terra ameaçada

De tantas previsões, que reste nada?

Notaste o homem, que da espécie sua

Já quer armazenar um gen na lua?

O que fazer com ele neste enleio

De se perpetuar buscando um meio?

Será que por um gen o inconsciente

Ali povoará de tanta gente!

- Filho, fecha-te em ti mesmo

E bem fechada a porta,

Deixa que a terra se contorça a esmo.

Tua alma vive.

Interiorização 2/3 (Em 06/09/2007)

Você decerto já leu biografias deste ou daquele grande exponencial nas artes, na mística, na ciência; todos profundamente atormentados por algo que não conseguiam identificar. Faltou a eles o isolamento em si mesmos, a meditação; o encontro da mente com a consciência.

Os místicos fazem meditação, mas sua meditação é feita em função de um Deus fora de nós; eles olham para fora ou estando com os olhos fechados, visualizam sua entidade fora, num plano superior. Desesperam-se; Deus não está ali.

É o que aconteceu, por exemplo, com a Madre Tereza de Calcutá; todos a têm como santa; mas está saindo um artigo sobre as dúvidas dela com relação à existência de Deus; isso não diminui a importância de sua mística; o que faltou foi o direcionamento do foco; também São João da Cruz tinha essas dúvidas que as nomeava por “noite escura”.

Nós temos a consciência e a mente uma em cada extremo; entre as duas existe o inconsciente; no inconsciente estão acumulados todos os nossos traumas psicossomáticos, assimilados ao longo da idade ou antes dela.

A “noite escura” se dá quando a mente contempla seu Deus situado do lado de fora; a mente quer se interiorizar; não consegue passar pelo inconsciente; a mente não percebe a consciência em repouso além do inconsciente, porque seu referencial está do lado de fora.

Você percebe a importância de se concentrar no coração: você dá um drible nesses vendilhões instalados no inconsciente e que Cristo expulsa de sua interioridade.

Você vê no cinema o Cristo expulsando os vendedores, derrubando mesas, soltando aves, gritando que a “casa do Pai é casa de oração e eles fizeram dela um covil de ladrões” e você pensa: que Cristo irado, que coisa violenta!. Nada disso; aquilo é a demonstração de como você deve expulsar os vendilhões de seu coração; eles têm medo do silêncio e fogem.

Concentrar-se no coração. É só isso; o resto vem por acréscimo. É claro que, ao longo de sua idade, você sempre projetou a mente para fora; agora quer inverter a direção e isso demora um pouco, mas vale a pena.

Atualidade de Cristo 3/3 (06/09/2007)

1 - Não há coisa oculta, que não seja manifestada, nem feita em segredo, que não venha a

ser pública. Mc 4,22 - Lc 12,2

2 - Não só de pão vive o homem. Mt 4,4

Quanto ao versículo (a), há dois mil anos Cristo já nos advertia sobre a existência do movimento a que estamos sujeitos; nós já devíamos ter intuído e procurado seu oposto; somente agora começamos a despertar para esses assuntos; como nada fizemos para alcançar o outro pólo, nossa vida se desequilibra.

Por outro aspecto, a alma está em repouso; se estamos permanentemente retidos no movimento, não podemos alcançar a alma; sem a alma, ficamos sujeitos a toda espécie de doenças causadas pela energia do movimento em nossos tecidos internos.

Analisemos o versículo b – não só de pão vive o homem.

O pão é sólido; é energia condensada; nosso corpo, a fruta, o astro, no espaço são energias condensadas; a energia condensada está em movimento; como o homem não vive só do pão que está movimento, o homem precisa viver do lado oposto ao movimento. A expressão “não só” adverte-nos que é preciso aliar algo ao movimento; o que podemos aliar ao movimento é o repouso; o homem também vive do repouso. Não só de movimento vive o homem; o homem deve viver também de repouso pela meditação.

Observe que essas interpretações não se vinculam a qualquer linha de pensamento; falam apenas da interioridade de cada pessoa; o que lhe causa distúrbios é o excesso da energia do movimento; quando você entra em você, equilibra os dois níveis de energia e a paz se restabelece. Daí a importância da meditação.

E foram felizes para sempre - 1/3 (Em 31/08/2007)


A contraprova provou

Que a prova não existia.

Lavada em banho-maria,

A lei se desfigurou.

Nascido na valentia,

O processo caducou.

E todos os acusados

Somaram o soldo da farra,

Guardando o dinheiro em barra.

Ou na cueca, acobertados.

E foi assim, desse jeito

Que o mensalão foi perfeito.

Cerceando a mente - 2/3 (Em 31/08/2007)

Trabalhar com a mente é como tocar um instrumento. A escala musical é composta de sete notas básicas; a mente humana também tem sete atributos básicos. A melodia consiste na variação com que o compositor aplica esses sete tons e seus semitons; a fala humana deveria também ser produto da variação no emprego desses sete atributos e seus derivados.

Mas, o que acontece? Observem-se os oradores, os conferencistas, as teses de graduação: tudo é feito de memória; a memória é a primeira nota.

De nossa escala oral, os doutos se contentam em tocar seus instrumentos com apenas a primeira nota: desprezam os demais atributos: razão, inteligência, sabedoria, verdade, justiça e amor. Ficamos emperrados na memória...

Nas Universidades, o aluno não deve interpretar o texto. Basta situá-lo no seu contexto histórico, aliar esse contexto histórico aos dizeres do texto; omite-se assim a participação do observador; o observador é desmotivado na utilização da própria inteligência para relacionar a obra de arte com aspectos da própria vida.

Excelente maneira de bloquear a mente do estudioso...

O concertista, se apenas tocar o que o compositor escreveu, é um tocador; para que seja artista, precisa dar brilho às frases; elas precisam soar com outra sonoridade, aquela que venha de seu interior; além de modular o compasso, alterar o ritmo e tantas filigranas mais de acordo com sua sensibilidade.

Ao aluno de Letras esses avanços parecem negados.

Se o objeto analisado é uma obra de arte, ela emana da interioridade, ela vem de dentro para ser sintonizada pelo observador; o observador deve buscar, dentro de si, os ecos que a obra de arte lhe desperta; deve extrair das próprias entranhas um conteúdo que coloque a obra de arte em seu devido lugar de grandeza.

Um médico ante os resultados dos exames, tem uma gama enorme de opções para indicar certo remédio; mas ele indica um, de acordo com sua interpretação das circunstâncias; de acordo com sua experiência, sua formação e tantos outros aspectos pessoais que entram na deliberação de indicar uma receita.

Os formados em Letras estão vestidos com essa camisa de força; é rebentá-la que só encontra sentido no comodismo de quem só aprendeu a trabalhar com a memória.

É só ver como os conferencistas são memórias geniais; sabem tudo de memória, embora a memória seja um atributo de primeiro grau. Aí nós estamos emperrados! Um desastre!

Estamos atrelados ao primeiro atributo da mente, e impedindo os outros de saírem de nosso estado; e nos queixamos do atraso, quando somos os promotores do atraso.

O coração como centro - 3/3 (Em 31/08/2007)

Os que me acompanham nesses artigos já perceberam qual é a síntese de tudo o que afirmei até aqui: conduzir a mente humana para o coração; pedir a você cinco minutos de seu tempo para uma concentração no coração, não importa onde você esteja; não pense em nada, não queira nada senão o vazio do coração.

Você tem filhos, sobrinhos ou outros a quem tenha acesso? Conte a eles historinhas que envolvam o coração; mostre a eles a fisiologia do coração, que eles façam desenhos sobre o assunto.

Pode observar: o que falta à juventude de hoje é essa ida para dentro de si mesma. As crianças têm de ser motivadas a encaminhar-se para o coração porque este é nosso único destino. O destino humano é o coração individual; eu para o meu, você para o seu, o outro para o dele.

Sobre este assunto, ninguém pensou com mais objetividade do que Cristo.

Calma! Eu não me refiro ao Cristo histórico; esse já conhecemos bastante, na proporção em que nada conhecemos sobre o Cristo interiorização.

O que dificulta é o nível de linguagem de que ele se utiliza. No entanto, se suas falas forem interpretadas, Cristo é atualíssimo e ninguém no mundo se manifestou com tanta propriedade sobre a interioridade humana.

Veja um texto de Cristo e a respectiva interpretação para que você perceba o quanto

Cristo é atual:

“Tu quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora em secreto a teu Pai”. Mt 6,6

1 – “entra no teu quarto” – as partes que compõem nosso corpo são: cabeça – tronco –

membros. Cristo faz alegoria do coração como sendo a quarta parte de nosso corpo; o

quarto é o coração; entra em teu coração

2 – “em secreto” – é para orar “em secreto”, em segredo, em silêncio.

3 – “fechada a porta” – porta fechada para não vermos ninguém, em concentração.

4 – Pai é a Consciência que está no coração.

A interpretação fica assim: quando você quiser orar, entre em seu coração e se concentre em silêncio; pelo silêncio você se comunica com sua consciência.

De fato, se nossa consciência está em silêncio, nós só podemos nos comunicar com ela pelo silêncio

Perceba que o Cristo faz do coração o centro de nossas atividades espirituais.

Estou propenso a fazer algumas dessas interpretações de versículos; caso você tenha interesse em ver analisado algum, por favor é só mo indicar.

Carta - 1/3 (Em 23/08/2007)

Aqui tudo se faz por sintonia, já que não existe o pensamento. Os que trazem o pensamento, não estão em condições de ficar aqui; precisam voltar: faltou-lhes o enxoval para habitar estas paragens.

Você decerto se lembra que o pensamento se realiza apenas no mundo do movimento; já lhe disse que, do lado de cá, tudo é repouso, sem pensamento e tudo se realiza na interioridade de cada um, conforme seu grau de desenvolvimento.

Uma questão há de lhe surgir: se onde estou não há pensamento, como posso pensar para lhe escrever? Eu assumi o pensamento para dar testemunho da importância que seu trabalho aí. O objetivo foi de confirmar a importância do trabalho que você vem realizando aí e que aplicou em mim; quero lhe manifestar o quanto ele tem repercutido neste plano de cá, pelas confirmações que tenho verificado em mim mesmo das coisas de que falávamos.

Imaginemos que por aqui passassem pessoas desorientadas; nós assumiríamos o pensamento para ajudá-las, para esclarecê-las.

Saiba que aqui só aplicamos o que trazemos daí, plantado em nossa interioridade.

Na falta de gravidade, não se pende para a direita, nem para a esquerda, senão para o centro de nós mesmos. O centro neste ambiente está em cada um.

Somente quando cheguei aqui pude experimentar que a vida interior é falta de gravidade; não se têm pendores para qualquer direção, senão para dentro de si mesmo.

Aqui muitos cantam e seus cantos são ouvidos dentro de nossa mente; se não quisermos ouvir, é só desligar-mos e nos colocarmos em uma espécie de mar da serenidade. O alimento aqui é a meditação; o objetivo é a luz que sentimos como meta em nossa consciência.

Você me dirá: - mas se vocês têm consciência, têm alma e você disse anteriormente que a alma não nos acompanha; verdade. Assim foi, mas é preciso lembrar que a alma a que eu me referia era emissora de partículas como se fossem partículas quânticas; digamos assim que a alma daí ainda é uma alma que se estabelece no princípio; aqui, num grau já saído do mundo da matéria, a alma ganha dimensões de insinuadora dentro de nós e nos orientamos por ela.

Sinto-me progredindo, minha querida, progredir aqui é avançar por milímetro e andei fazendo certo exercício de isolamento que me parece somou alguma coisa de que não tenho consciência, mas cujo resultado eu percebo. Chego a imaginar que um plano superior, dentro de mim, determinou-me certo estágio e já me sinto separado dos demais. Nosso mestre é essa consciência, ou essa alma que nos fala do mais íntimo para o íntimo.

Se não lhe escrever mais, fique em você a certeza de que estou feliz pelo quanto me orientou; você foi decisiva na visão com que embelezou meus dias.

Não tenho vontade de lhe dizer adeus, não por apego, mas por uma profunda gratidão pelo quanto você me preparou para esses páramos; espero ainda poder demonstrar-lhe o quanto sou feliz por mérito seu.