sábado, 1 de maio de 2010

Poema Sufi - 3/3 (Em 29/11/2007)

“Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.

Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia

Oh, sufi que passa!

Busca dentro, se podes, e não fora.

No amor, não há alto nem baixo,

Má conduta nem boa.

Nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,

Só há diferença, tolerância e entrega.”

A última parte do poema Sufi, esta obra-prima que o Rodrigo, sempre amável, me mandou.

Já sabemos que a Alma é emanada da Consciência; a Alma se avoluma e a Consciência permanece latente no interior da alma. Como a fruta: cresce e a semente permanece latente.

Por isso o místico afirma que “Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma”. A alma no interior é a Consciência de forma latente; busquemos essa Consciência.

“Há uma jóia na montanha de teu corpo”; essa jóia é a mente no alto da cabeça; buscar a mina dessa jóia e saber lidar com os pensamentos.

Já sabemos também que o amor só se instala no coração vazio; e o coração vazio nada quer, nada pede; não é possuidor nem possuído. A palavra “indiferença” significa desapego; o desinteresse por tudo o que passa; abdicação total.


Aniversário - 1/3 (Em 22/11/2007)

Hoje este blog completa dois anos. Reli o primeiro assunto de que tratei; afirmava que não tenho vínculo de qualquer natureza com qualquer instituição. Mantenho a afirmação.

Ao longo desses dois anos, muito tenho me referido ao Cristo que tomo como modelo de minhas idéias; não me referi jamais ao Cristo histórico. Cristo histórico é cultuado pela memória e eu tenho me manifestado contra a utilização maciça da memória, sobretudo quando o assunto se vincula à espiritualidade.

Já afirmei, nessas linhas que a memória nos torna insensíveis, donos da verdade, alienados, sem capacidade de raciocínio, apáticos, inconseqüentes, sem poder de contestação e tantas coisas assim.

Se alguém me fala sobre Napoleão, na ilha de Santa Helena, a mente vai para lá e eu passo a ver os fatos se desenrolando lá; enquanto isso, meu corpo ficou aqui, esquecido, ao desamparo sujeito aos miasmas de tantas coisas ruins que o inconsciente coletivo traz pela energia circulante; é como o do lixo descartado no espaço pelas espaçonaves: vai indiscriminadamente atraído por outros corpos.

A mente volta de Santa Helena e não traz qualquer vínculo comigo; o assunto ficou lá porque era história e a história só se fixa onde o fato se realizou.

Volto ao blog para agradecer, agradecer, agradecer as mensagens que tenho

recebido e isso me estimula na tentativa de fazer algo que sirva a alguém.

Meus textos não tratam de assuntos científicos nem históricos porque não sou cientista nem historiador; fatos científicos ou históricos são tomados quando podem servir de sustentação a um outro assunto referente à mente humana.

Meus textos não discutem religião, qualquer que seja; meus textos discutem a condição do ser humano, onde há possibilidade de nos esclarecermos.

O mais é um rosário de agradecimentos, com todas as jaculatórias possíveis e imagináveis pelo bem de meus leitores.


Poema Sufi - 2/3 (em 22/11/2007)

Continuo analisando o poema Sufi que o Rodrigo me mandou; é meditação que vale a pena.

Na realidade, tua alma e a minha alma são o mesmo.

Aparecemos e desaparecemos um com o outro.

Este é o verdadeiro significado das nossas relações.

Entre nós, já não há nem tu, nem eu.

O vale é diferente, acima das religiões e cultos.

Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.

Funde-te na maravilha de Deus.

A consciência é universal; a alma é uma emanação da consciência; logo a alma também é universal; se é universal, todos nós temos uma alma de igual emanação da consciência.

Este é o sentido da afirmação do poeta: “tua alma e a minha alma são o mesmo.” A alma é a mesma; nós podemos tornar a alma mais atuante ou menos atuante, conforme nosso grau de meditação.

O verdadeiro significado de nossas relações é nos esclarecermos sobre esses assuntos.

Com o verso: “já não há nem tu, nem eu”, o poeta se analisa apenas em função da alma, porque, em relação ao espírito nossas diferenças podem ser significativas.

O espírito assimila todas as nossas atividades de cada instante; elas são somadas a nossos traumas psicossomáticos,e podemos perceber o quanto somos diferentes.

Adiante o poeta afirma que “O vale é diferente, acima das religiões e cultos”. Com a palavra “vale”, ele quer significar interiorização; pela interiorização, nós descemos como se desce no vale.

Nesse ambiente de meditação, “baixa a cabeça e te fundas na maravilha de Deus.


Economia de água - 3/3 (Em 22/11/2007)

Fala-se das causas do aquecimento global; o que eu tenho feito no sentido de amenizar a situação, no ambiente de minhas possibilidades? Tenho sido moderado na utilização da água no banho? Na hora de fazer a barba, eu desligo o chuveiro? E a pia da cozinha está com vazamento e vai por aí.

Alguém dirá que nós não estamos precisando fazer esse tipo de economia. Verdade. graças a Deus não o estamos; mas precisamos ser solidários com aqueles que, daqui a algum tempo, não terão água.

A solidariedade não é só com os que estão precisando; é também com os que vão precisar. As “barricadas” nas praias têm de ser feitas antes que as ondas venham; sob este aspecto, antecipar-se é chamar a si uma pequena carga para que o outro receba uma carga menor no tempo de suas privações.

Alegar que o problema não é conosco. Se somos responsáveis pelo que fazemos, somos responsáveis também pelo que, por negligência ou indiferença deixamos de fazer.

Poema Sufi - excerto 1/3 (Em 15/11/2007)

“Se pudesses libertar-te, por uma vez, de ti mesmo,

O segredo dos segredos se abriria para ti.

O rosto do desconhecido, oculto além do universo,

Aparecia no espelho de tua percepção.”

Que profundidade de versos! Sugerem procedência de alguma sociedade de alto nível emitindo normas para seus discípulos de não menos alto nível. É preciso acumular gerações e mais gerações para adquirir vivência mística de conciliar o mundo de fora com a realidade de dentro e exprimi-lo com tanta profundidade!

O Rodrigo me mandou o poema; por ser um pouco longo, vamos analisá-lo por partes.

Para alcançarmos compreender esses segredos, precisamos descer com a mente à interioridade; assim nos livramos de nós mesmos, fazendo que nosso espírito conviva com a alma.

Entendemos os segredos da alma pela prática de seus atributos: sabedoria, verdade, justiça e amor; através da alma, entenderemos o segredo da Consciência, porque a alma emana da Consciência.

Praticando os atributos da alma, podemos fazer que nosso espírito se aproxime dela;

quanto mais próximo, mais se ilumina; quanto mais se ilumina, mais lhe aparece o “rosto do desconhecido”, a luz, no interior de nossa mente.


Éden - 2/3 (Em 15/11/2007)

Mas eu acabo de dizer a você, você é que não me ouviu direito: em toda criança ainda coabitam a mente e a consciência e lhe dizia mais que este é o motivo por que ela tem insights: perguntas de entortar qualquer um.

Por isso esse menininho, apesar de seus cinco anos, virou notícia por todo o mundo: com o espírito do homem aranha, entrou na casa em chamas e salvou uma criança, sob os olhares da mãe apavorada.

A criança agiu por amor, o amor que nada pede, que nada quer, mesmo que nada essa criança saiba sobre o amor; foi tão grande o vazio do amor, que as crianças passaram pelas labaredas sem se queimar: estavam no vazio de si mesmas e no vazio, nem o fogo alcança. E a menininha de um ano e meio foi salva, apenas com arranhões leves.

Tomei este assunto porque ilustra a afirmação de que o interior de uma criança é o Éden; conforme a criança vai se desenvolvendo, alimenta desejos; é Adão saindo do paraíso. Por enquanto, essas duas estão lá ainda. Talvez pela repercussão de seu ato, o menininho comece a sair de lá...

Crônica - 3/3 (Em 15/11/2207)

Então eu ouvia sempre falar de amor, que o amor é isso, aquilo, aquilo outro e eu resolvi dar um jeito de também amar. Vou. Fui. A primeira mulher que me deu aquela olhada, eu pensei comigo é esta; ela me sorriu e eu fui em seu encalço; toda de branco; achei estranha aquela saia rodada, uma tiara na cabeça, mas a beleza... Sempre sou atraído pela beleza. Gestos de uma delicadeza ímpar. Fui. Quanto mais tentava me aproximar, mais ela estava ali adiante; miríade; eu não desistiria; afinal, eu queria apenas amar. Súbito ela parou e falava uma estranha linguagem com alguém cuja voz eu também sentia no centro de minha cabeça.

Só então percebi que a moça era uma vestal; vestal, sim. Não sabe o que é uma vestal? Moças consagradas a manter a pira sagrada no templo antigo; quando ia um consulente consultar o oráculo, este respondia numa linguagem codificada e à vestal cabia fazer a tradução para o consulente; deveria ser virgem, gozava de privilégio na cidade e sofreria sentenças de ser até enterrada viva, se roesse a corda.

Quando eu percebi que a moça era vestal, apagou-se em mim a chama de amar; acendeu-me a curiosidade de aprender. Esta mulher tem alguma coisa pra me dizer; eu teria de arrancar algum saber daquela criatura. Ela falou com suprema autoridade:

- Vocês vivem em pequenos templos e, em muitos deles, há uma moça recatada, introvertida; essa é uma vestal moderna; ela não sabe que se sacrifica por defender a família; o ambiente da casa é o templo; sobre os familiares recaem adversidades que cabem a ela interpretar, se lhe derem espaço.

Isso é sério, disse: é preciso respeitar a irmã, a filha mais voltada sobre si mesma; ela tem uma incumbência de ser guardiã da família, mesmo com sacrifício pessoal.

Disse-me ainda que essa moça, não raro, é de confiança do pai e em quem ele se apóia; se ela se desmoronar, ele se desmorona junto.

Cabe a essa filha manter acesa a chama familiar e todos precisam entender sua função de guardiã.

Dito isso, ela me lançou um doce olhar e se afastou deixando o som de uma melodia que permanece sem que eu consiga afastá-la de minhas retinas.