quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Construiu um muro, em vez de uma ponte" - 6/6 ( Em 13/01/2009 )

Era mais ou menos assim, uma afirmação que vi em um e-mail. Identifiquei-me com o isolamento; vivo só; e, por estar só, preciso ativar as antenas de irradiação a outras estações. As vozes de dentro pedem essa expansão de mim mesmo. A alma não avança se eu me isolo; pessoalmente posso viver só, como vivo, mas é preciso estender-me, transmitir o que meu isolamento me propicia; meu saber é de não saber nada e, se não transmito aos outros que não sei nada, será muro.
Todo saber sonegado é muro em torno de mim mesmo; aí eu me sentiria só com meu saber, prisioneiro de meu saber. Que coisa mais fermentadora!
Os prisioneiros do saber são esses que constroem fortalezas, muitos frequentam sala de aula, cercados por admiradores e depositários de um saber que não circula; cria mofo; não areja; no final, esse saber será o algoz, o juiz de seu carcereiro.
Cabe aqui aquela história de Marco Pólo: dava uma aula sobre a construção da ponte e falava minuciosamente sobre a posição das pedras grandes e pequenas, encaixadas e sobrepostas, os vãos, o alicerce; nisso um aluno perguntou:
- professor, o que sustenta o peso?
- a curvatura do arco.
- então por que o senhor só fala sobre as pedras e não faz referência à curvatura do arco?
- porque, sem as pedras, o arco não existe.
Percebeu a simulação? Marco Aurélio falava a seus alunos sobre as aparências, a parte externa de seu saber e retinha a essência do saber. Esse é um saber que cria muros, mesmo quando constrói pontes.
Criar pontes é permitir que o saber circule, que passe de mente para mente, entre os que quiserem se esclarecer. Criar pontes é estender-se, ampliar suas dimensões.
Pela lei de causa e efeito, quanto mais se ensina, mais se aprende porque a energia de ensinar retorna com a força de ampliar a consciência naquilo que se ensinou.
Quanto maior for o número de arcos entre o professor e seus discípulos, mais o saber circula e a ponte será de mão e contramão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escuta! - 1/6 ( Em 06/01/2009 )

Para com esse negócio de ficares esperando que os outros te ensinem como desenvolver teus chakras!
Concentrado em cada um, reza uma Ave Maria. Ah! Não gostas de reza, é! Então recita um poema de teu gosto concentrado em cada um. Na frente e, na mesma direção, atrás. Isso é tudo.
A maior de todas as iogas é repuxares o nervo da testa para trás, para a nuca. Faze isso todo dia e dorme nessa posição. Saberás o que é descanso.
Tens excessos sexuais? Desvios? Deixa o barco correr e, no momento do orgasmo, concentra-te no baço, na tireóide. Estarás transferindo a energia em excesso. O exercício  ameniza a euforia.
É claro que os especialistas vão te dizer que isso é besteira! Tudo bem. Faze um curso com eles e irás aprender o que já sabes.


Observação: eu sempre escrevi a palavra: chacras porque existia uma norma na Língua Portuguesa que toda palavra estrangeira deveria adaptar-se à grafia de nossa língua; no entanto, entraram em vigor, em 01/01/09, normas que incorporaram em nossa língua as consoantes K, W, Y; passo a adotar a palavra chakras e não mais chacras.

Carta - 2/6 ( Em 06/01/2009 )

Minha querida, minha Amada. Não foi assim que a chamaram? Você me fez o favor de mandar uma sugestão de extrema sensibilidade.
Afirma que "o silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz." Lindo moça!
Por essa manifestação eu já pude sentir seu estado de alma, a resignação como que vem encarando o impedimento de você pensar diferente do grupo, além do grupo. 
Estou feliz, por você adotar o perdão como norma de conduta nessa travessia; o perdão é de fato arma poderosa contra a intransigência.
Bem que eu gostaria de saber algo sobre você; alimento a esperança de que seus avanços sejam consideráveis porque você é um ser privilegiado, embora esteja tão envolvida com as periferias e não se olhe como centro, onde a perfeição clama por espaço. Dê a ela uma oportunidade, querida; você vai perceber que você é muito mais do que os pensamentos sobre os quais trabalha; por isso está impedida de pensar além deles.
Você fala em "perdão que se cala e espera o tempo". Vejo nisso os traços de uma adolescência perene, que não se afasta de você e deixa transparecer esses traços de sua sensibilidade à flor da pele.
Continuemos querida, olhando na mesma direção onde um Sol se levante, mensageiro da paz que se constrói pelo perdão.
Estou deveras feliz com esse pedacinho do coração que você me mandou, para que estejamos sempre unidos em pensamento.
Deus abençoe seus dias, que sejam de glória para a glória de Deus. 

Comparações - 3/6 ( Em 06/01/2009 )

Tenho insistido que não nos comparemos. Somos entidades independentes e não podemos ter as mesmas disposições internas do outro. Mas a comparação que quero fazer é entre os povos de cada continente para que possamos aferir o quanto nossa mente, na América, avançou em relação aos outros.
Parece-me que este ambiente mental do povo das Américas de influência Latina é o mais avançado de todos. Veja se estou certo.
Lembrando inicialmente que é preciso equilibrar os opostos: movimento e repouso precisam estar equilibrados; se os resultados forem alcançados com um apenas não são suficientes. Um passarinho de uma só asa não vai a lugar nenhum; é presa fácil dos predadores. 
Os povos do oriente longínquo têm vivência interior de cinco mil anos; adoram a vaca, o rato, o macaco, dormem sobre pregos, ficam três dias enterrados vivos e vai por aí. Significa extraordinária prática de conduzir a mente para a própria interioridade; a mente está do lado de dentro. Mas esse povo, de vivência interior tão intensa, não tem experiência de vivência no movimento. Essa experiência apenas no repouso significa que eles têm só um dos lados desenvolvido.
Os povos do Oriente Médio estão no torvelinho do movimento; exprimem-se pela força do mais forte; ainda vivem os tempos do olho por olho, dente por dente. Os homens-bomba são sua expressão máxima na linha do revide.
Os povos da Europa vivem aprisionados ao racionalismo; o racionalismo saturou a  Europa; a Europa está cansada, esgotada. Creio que não há o que se ver na Europa, senão o que passou. A Europa vive do passado. Sob essa mesma cadeia racional incluam-se dois países da América
Os povos da África não aprenderam ainda a trabalhar a própria mente; vivem em estado de fome há séculos é o sinal da inanição, dormência, embora haja tanta riqueza em seu solo.
Já os povos das Américas de Língua Latina atuam no movimento e desenvolveram a sensibilidade, a emoção, a fé. Talvez beneficiados pelo clima, pela catequização. O fato é que esse povo, sem deixar de ser racional, atuar no movimento, vive intensamente estados de humanização, de sensibilidade com os de sua afeição, adotou ser sensível, alegre e fervoroso; isso é o passo inicial para a própria interioridade. 
            Daí me parecer que a comparação é válida. Eu mesmo vivo reclamando nestas páginas sobre nossa necessidade de interiorização; porque entendo que, do bom aluno, sempre se deve cobrar mais.

Olhar-se com olhar de dentro - 4/6 ( Em 06/01/2009 )

Meu Deus, que coisa difícil! Mas que deveria ser de suprema aspiração por nós!
Faz lembrar os astronautas; lá do alto, contemplam os horizontes sem fim; a terra, seus vizinhos e parentes distantes.
Creio que assim seria uma contemplação de dentro para fora: ver as grandes paisagens internas, as correntes de energia, o encontro delas com a energia do movimento e ligeiros meteoritos acontecerem dentro de nós, enquanto extensas planícies de um luminoso áureo pontuavam o horizonte e percebermos que tudo aquilo seria extensão de uma fonte jorrando da alma, a partir de nós. Então veríamos os 4 rios mencionados no Gênesis: o corpo, a mente, a alma e a consciência; extensões luminosos sob nossos olhos extasiados. Mais longe, grandes sombras que se formaram em nossa mente; espessas nuvens na extensão de nosso inconsciente ainda resistindo a ser dissolvido; mais distantes, os transeuntes que correm atrás de seus compromissos e tudo visto de um posto situado nas profundezas de nosso ser.
De lá contemplar aquele vale em que se divide nosso cérebro, percorrer sua extensão vazia onde nem as plantas medram; levar a luz àquela região, que, sendo ali o meio entre dois opostos se confrontam, ali será o lugar de onde aflore a luz com que iluminar e eliminar definitivamente o inconsciente
Olhar-se  com o olhar de dentro é ocupar o lugar da alma; tenho certeza de que ela cederia de bom grado, seu lugar para que ali permanecêssemos
Olhar-se com olhar de dentro não pode ser de quem sempre viveu dentro porque nada entende de quem vive aqui fora; olhar-se com o olhar de dentro é ter-se trabalhado de tal forma que, de fora para dentro, transformou-se num ser novo, conciliadas suas energias de dentro e fora.
O olhar reflexivo é de fora para dentro; esse olhar de dentro para fora só pode se verificar no domínio da consciência.

Projeções - 5/6 ( Em 06/01/2009 )

O que está acontecendo dentro de nós tem projeção aqui fora de nós; sob dois aspectos as coisas podem acontecer como projeções de nós.
Se a projeção vem de dentro de nós, vem do lado de lá do inconsciente; tendemos para a solidariedade, o perdão, a prática de justiça, do amor e coisas assim, afins com a consciência.
Se a projeção é manifestação do que está do lado de cá do inconsciente, é bem provável que estimulemos a guerra, a injustiça, a exploração do mais fraco e coisas assim que nos exaltam o ego.  
Por que acontece isso? Porque do lado de cá do inconsciente, sob o domínio da mente, somos insensíveis; a mente nada sabe sobre sensibilidade, justiça amor e essas coisas do coração. Do lado de cá do inconsciente, somos tendentes à perversão, à corrupção, à injustiça de toda forma porque a mente não tem qualquer padrão de sensibilidade. 
A projeção do domínio da razão canaliza sempre para o mais forte; basta pensar no que está acontecendo com as bolsas de valores do mundo; o mundo todo em polvorosas; os governos gastando suas reservas para tentarem diminuir os abalos que tanta onda pode alcançar até o emprego de cada cidadão, embora ele nada entenda de bolsas.
Esse país que ataca os mais fracos com superpoder é adepto da razão pura, vive o Antigo Testamento, quando tudo era de domínio da razão; do olho por olho.

Puxando o tapete - 6/6 ( Em 06/01/2009 )

Gente! Olha; presta atenção! O que tenho notado é que estão nos tirando o tapete de baixo dos pés. Não entendeu?
Primeiro foi a globalização das organizações de empresas açambarcando umas as outras; está aí a globalização do dinheiro: os bancos engolindo uns aos outros; você está vendo como em fração de horas, pessoas perdem milhões nas bolsas de valores; é só um dos grandes dar um espirro e as bolsas despencam.
Outro fator é a descrença nos homens; todos falam e já não são mais ouvidos ou se são ouvidos, é apenas porque se pretende demonstrar ele está mentindo. É a crise de autoridade.
Já não temos mais liderança. Até de onde há pouco a palavra vinha como exemplo de autoridade, essa palavra sumiu e aos poucos, vamos nos percebendo sós, sem referencial.
Não percebeu ainda! Onde está a família? Desfaz-se em duas linhas:
- os pais que não controlam os filhos;
- os casais que não querem filhos.
            Cada um tem suas razões, mas o fato é que não querem ou não podem. E a família vai minguando em número e em força. 
            Você já pensou na desumanização dos hospitais por falta de pessoal?
Estou mostrando fatos. O que eu gostaria de deixar com você é a certeza de que a vida interior não nos deixará sós; ela nos completa.
Você decerto já ouviu essa afirmação de se deixarem os mortos enterrar seus mortos. Os mortos são aqueles que não ativam suas potencialidades internas; elas estão como em cemitérios dentro de nós.
É isso aí; no momento em que tudo parece afogar-se, façamos virem à tona as potencialidades da alma, conscientes de que nada podemos fazer pela humanidade se não começarmos por nós mesmos. O futuro a Deus pertence e nós a ele; o coletivo não conta diante de Deus; só vale a individualidade equilibrada em seus opostos; Nossa interioridade será o único lugar onde poderemos encontrar esconderijo, quando tudo em derredor parece sucumbir.