Energia
Este enfoque sobre energia é feito em função do ser humano; apresenta um dado de conhecimento geral e busca a relação com os componentes espírito e alma.
Se digo que a energia tem dois pólos, isso é de conhecimento geral; mas procuro lembrar que também no ser humano atuam dois pólos: o pólo do movimento: aciona a mente pelo lado de fora de nós; o pólo do repouso; atua no coração vazio de pensamento, atua no repouso. O espírito atua pela mente; o coração é um posto avançado de comunicação com a alma.
O espírito se desenvolve ao longo de quatro etapas: movimento, repouso, luz e consciência. Estamos ainda no primeiro estágio, no âmbito do movimento, do pensamento. Por circunstâncias diversas, a energia do movimento invade nosso mundo interno, empurrada por acidentes, doenças graves, sustos fortes, ofensas, perdas e tantas coisas. Essa energia do movimento se agita no campo do repouso e nos causa conflitos. Os conflitos têm duas origens:
- traumas mencionados há pouco e assimilados sobretudo na infância;
- sonegação do saber; o saber como energia retida conscientemente.
Todo saber entra em nós procedente de fora, conduzido pela energia do movimento e se instala no âmbito do repouso; se essa energia ficar retida dentro de nós, se não passamos adiante esse saber, ela se agita dentro de nós, incha e nos incha.
Por outro aspecto, a alma é a Consciência Profunda retida em nós; é um centro emissor e refletor de energia; ela é auto-suficiente, dotada de todos os atributos de sua origem, mas esses atributos estão esquecidos por ela, na densidade da matéria.
Cabe ao espírito fazer a alma recordar suas origens. Sabe aqueles filmes em que o mocinho passa pelas maiores peripécias para libertar a mocinha? Assim é o esforço que o espírito deve promover em si mesmo; mas ele só consegue isso quando pratica ações relacionadas com: verdade, justiça, amor e outros. Ações assim despertam a alma. Se ela recorda, emite energias de iluminação relacionada com aquilo que recordou; o espírito assimila essas energias; se as ações do espírito não causam identidade na alma, é como se a mocinha estivesse na torre e o mocinho buscasse libertá-la nas galerias: a energia despendida foi inútil: é devolvida ao espírito.
Saído da terra, é de se supor que o espírito não leve consigo a energia do movimento de que acabou de se livrar neste plano; ele vai mergulhar na energia do repouso.
Se o espírito levar para o outro plano a energia do saber não liberada, ela lhe será uma carga, atuando nele como um trauma; ele precisará voltar à terra; essa energia que ele traz de volta se adere ao pâncreas; acumula-se no pâncreas; daí as deficiências pancreáticas congênitas.
Fora de nós, a energia é agitada; dentro de nós, ela é lenta; quanto mais se aproxima da alma, a energia se torna rarefeita; só a intuição ultrapassa a região de energia rarefeita; ela vai direta à fonte de onde tudo emana.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Energia Complemento (Em 20/04/2006)
Energia - complementação
Algumas crianças entraram num palácio onde habitava um homem enfeitiçado pela própria imagem refletida num espelho; esse espelho só poderia ser quebrado por uma criança pura.
Fechou-se a porta, e as crianças procuraram em vão outra saída. Uma delas desapareceu. De repente, forte trovão e raio. Ouviu-se o estilhaçar do espelho. A porta se abriu e a criança que tinha sumido reapareceu junto às outras.
Essas crianças presas bem podem ser a representação de certos grupos que se mantêm fechados, ingênuos em torno de seu “mestre”; acomodam-se respirando o que ele respira e não se dão conta de que é preciso ajudá-lo a quebrar-lhe o encantamento.
Destacam-se quatro aspectos no texto:
a – um homem enfeitiçado pela própria imagem;
b – uma criança que desaparece;
c – trovão, o raio;
d – espelho estilhaçado.
O homem deslumbrado é o sábio encantado com seu saber.
A criança pura suscita no homem uma vivência interior de que ele nada entende.
O trovão, o relâmpago são as adversidades, as dores, a perda irreparável, pelos quais esse sábio tem de passar para despertar a consciência sobre o próprio interno.
O espelho estilhaçado possibilita duas visões:
- o homem abdicou do saber e esse saber se tornou disponível para muitos
- acabou-se a fonte de vaidades; restou ao homem o vazio, o nada em que se contemplar.
Algumas crianças entraram num palácio onde habitava um homem enfeitiçado pela própria imagem refletida num espelho; esse espelho só poderia ser quebrado por uma criança pura.
Fechou-se a porta, e as crianças procuraram em vão outra saída. Uma delas desapareceu. De repente, forte trovão e raio. Ouviu-se o estilhaçar do espelho. A porta se abriu e a criança que tinha sumido reapareceu junto às outras.
Essas crianças presas bem podem ser a representação de certos grupos que se mantêm fechados, ingênuos em torno de seu “mestre”; acomodam-se respirando o que ele respira e não se dão conta de que é preciso ajudá-lo a quebrar-lhe o encantamento.
Destacam-se quatro aspectos no texto:
a – um homem enfeitiçado pela própria imagem;
b – uma criança que desaparece;
c – trovão, o raio;
d – espelho estilhaçado.
O homem deslumbrado é o sábio encantado com seu saber.
A criança pura suscita no homem uma vivência interior de que ele nada entende.
O trovão, o relâmpago são as adversidades, as dores, a perda irreparável, pelos quais esse sábio tem de passar para despertar a consciência sobre o próprio interno.
O espelho estilhaçado possibilita duas visões:
- o homem abdicou do saber e esse saber se tornou disponível para muitos
- acabou-se a fonte de vaidades; restou ao homem o vazio, o nada em que se contemplar.
Imagem (Em 16/04/2006)
Imagem
Uma imagem por e-mail: à hora de dormir, um menino ajoelhado,as mãos postas, os cotovelos apoiados sobre a borda da cama, olhos fechados em meditação; a seu lado, um cachorro, pele luzidia, as patas dianteiras juntinhas sobre a borda da cama, unhas salientes, pescoço ligeiramente esticado, olhos fechados, lembrando um místico em profunda meditação e criando uma atmosfera de intensa sensibilidade ante aquele quadro de tantos significados.
Como analisar a sintonia daquelas duas criaturas? Em que planos estavam? Oposição conciliada na concentração!
Planos mentais diferentes, ambos se ligam pelo fio da vida, e a mente nos traz de outra dimensão o que disse Cristo: hoje estarás comigo no paraíso; os dois passando pela mesma experiência, mas em planos diferentes. Ali estava uma criança e seu cão, representação viva e silenciosa do diálogo da cruz; pela concentração de ambos na direção da inocência.
Os olhos do cachorro estão densamente unidos, as orelhas caídas, sugerindo um estado de abandono, de quem percorre os meandros da própria interioridade, á busca de sua luz. Não é próprio da raça descer assim, mas e se um cão desce, não poderá adquirir um mínimo de consciência? Existem exemplos de cachorros que parecem portadores de traumas trazidos da primeira idade; resgatados de entre os recolhidos pela prefeitura, eles parece disporem de uma memória inconsciente que os faz tremer quando se deparam com aspectos de vivência com aqueles momentos sofridos. Se esse “psicossomatismo” existe, como posso descartar um mínimo de consciência naquele cachorro tão compenetrado? De qualquer modo, é certo que menino e cachorro estavam conciliados num silêncio que ultrapassa nossas cogitações.
Uma imagem por e-mail: à hora de dormir, um menino ajoelhado,as mãos postas, os cotovelos apoiados sobre a borda da cama, olhos fechados em meditação; a seu lado, um cachorro, pele luzidia, as patas dianteiras juntinhas sobre a borda da cama, unhas salientes, pescoço ligeiramente esticado, olhos fechados, lembrando um místico em profunda meditação e criando uma atmosfera de intensa sensibilidade ante aquele quadro de tantos significados.
Como analisar a sintonia daquelas duas criaturas? Em que planos estavam? Oposição conciliada na concentração!
Planos mentais diferentes, ambos se ligam pelo fio da vida, e a mente nos traz de outra dimensão o que disse Cristo: hoje estarás comigo no paraíso; os dois passando pela mesma experiência, mas em planos diferentes. Ali estava uma criança e seu cão, representação viva e silenciosa do diálogo da cruz; pela concentração de ambos na direção da inocência.
Os olhos do cachorro estão densamente unidos, as orelhas caídas, sugerindo um estado de abandono, de quem percorre os meandros da própria interioridade, á busca de sua luz. Não é próprio da raça descer assim, mas e se um cão desce, não poderá adquirir um mínimo de consciência? Existem exemplos de cachorros que parecem portadores de traumas trazidos da primeira idade; resgatados de entre os recolhidos pela prefeitura, eles parece disporem de uma memória inconsciente que os faz tremer quando se deparam com aspectos de vivência com aqueles momentos sofridos. Se esse “psicossomatismo” existe, como posso descartar um mínimo de consciência naquele cachorro tão compenetrado? De qualquer modo, é certo que menino e cachorro estavam conciliados num silêncio que ultrapassa nossas cogitações.
Angústia (Em 14/04/2006)
Muitas de nossas angústias são conseqüentes de um espírito bloqueado.
O espírito que volta à terra, perde a consciência; ele se esquece de tudo. Conforme o meio em que se estabelecer, algumas ressonâncias de atividades anteriores podem aflorar por intuição, sem limites; mesmo assim, o espírito fica sujeito a uma espécie de pressão que o leva ao desespero; ele não sabe identificar seus males nem como corrigi-los.
O espírito se situa entre a alma e a intenção; se a intenção se aplica a ações duradouras, elas repercutem na alma, a alma recorda aspectos de sua origem e libera energias imbuídas desses aspectos; o espírito assimila essas energias e se desenvolve em vislumbres de luz e sabedoria.
Se nossas ações se ocupam de assuntos passageiros, não duradouros, a alma não se identifica com ações assim; a energia despendida pela intenção é devolvida para o espírito, acumulando-se nele; a situação tende a piorar, quanto mais ela se acumula.
Na escolha da atividade profissional, por exemplo; a intenção se volta para fora e se afasta dos objetivos da alma; as energias despendidas não são identificadas pela alma; elas não entram no campus da alma e retornam para o espírito, pressionando-o.
Muitos vão buscar, no estudo da Psicologia, uma resposta para esse tipo de angústias e encontram uma Ciência ocupada com dados exteriores, concretos, visíveis, racionais, que mudam com o tempo; isso agrava o quadro interno porque, ocupação assim afasta ainda mais o espírito do fim a que veio.
O espírito então vacila premido por massas de energias excedentes a sua condição; de um espírito em desespero, vêm: o acidente, a cobrança moral, a demissão do emprego, uma perda irreparável e outros. São meios com que ele busca atrair nossa atenção para dentro de nós mesmos.
A solução é alternar nossas atividades do lado de fora com a prática de atividades duradouras; elas estão do lado de dentro de nós: justiça, verdade, amor; não o amor que pede...
Nossa convivência com essas virtudes desperta na alma atributos esquecidos por ela; ela insinua no espírito esses atributos; o espírito se nutre na luz refletida; as angústias perdem apoio na luz de dentro.
O espírito que volta à terra, perde a consciência; ele se esquece de tudo. Conforme o meio em que se estabelecer, algumas ressonâncias de atividades anteriores podem aflorar por intuição, sem limites; mesmo assim, o espírito fica sujeito a uma espécie de pressão que o leva ao desespero; ele não sabe identificar seus males nem como corrigi-los.
O espírito se situa entre a alma e a intenção; se a intenção se aplica a ações duradouras, elas repercutem na alma, a alma recorda aspectos de sua origem e libera energias imbuídas desses aspectos; o espírito assimila essas energias e se desenvolve em vislumbres de luz e sabedoria.
Se nossas ações se ocupam de assuntos passageiros, não duradouros, a alma não se identifica com ações assim; a energia despendida pela intenção é devolvida para o espírito, acumulando-se nele; a situação tende a piorar, quanto mais ela se acumula.
Na escolha da atividade profissional, por exemplo; a intenção se volta para fora e se afasta dos objetivos da alma; as energias despendidas não são identificadas pela alma; elas não entram no campus da alma e retornam para o espírito, pressionando-o.
Muitos vão buscar, no estudo da Psicologia, uma resposta para esse tipo de angústias e encontram uma Ciência ocupada com dados exteriores, concretos, visíveis, racionais, que mudam com o tempo; isso agrava o quadro interno porque, ocupação assim afasta ainda mais o espírito do fim a que veio.
O espírito então vacila premido por massas de energias excedentes a sua condição; de um espírito em desespero, vêm: o acidente, a cobrança moral, a demissão do emprego, uma perda irreparável e outros. São meios com que ele busca atrair nossa atenção para dentro de nós mesmos.
A solução é alternar nossas atividades do lado de fora com a prática de atividades duradouras; elas estão do lado de dentro de nós: justiça, verdade, amor; não o amor que pede...
Nossa convivência com essas virtudes desperta na alma atributos esquecidos por ela; ela insinua no espírito esses atributos; o espírito se nutre na luz refletida; as angústias perdem apoio na luz de dentro.
Angústia - Complemento (Em 14/04/2006)
O professor bateu com o giz na lousa e perguntou aos menininhos
- o que é isso?
- um cigarro aceso à noite, uma estrela, um navio a distância, um vaga-lume, um cometa,um poste visto de cima.
Entusiasmado com o resultado, o professor fez a mesma experiência no terceiro colegial:
- o que é isso?
- são as fuligens do giz que você bateu na lousa.
- nossa! Os alunos do terceiro tinham perdido a criatividade!
- o contato com as ciências exatas os pôs de olhar apenas para fora de si mesmos;
- na resposta deles, não faltou motivo e conseqüência: bateu na lousa, ficou a marca do giz.
- balanças de um só prato.
- se no terceiro, eles já estão assim, que dizer dos intelectuais?
- assim, a cultura atua como um trauma.
- como assim ?
- a cultura tem origem no mundo do movimento; quando entra em nós, aí é o repouso; ela precisa ser liberada, passada adiante; não o sendo, o movimento de que é portadora passa a atuar na área do repouso, criando sérios conflitos.
- verdade. O ser humano é o agente da cultura; toda cultura tem de se relacionar com seu agente.
- o que é isso?
- um cigarro aceso à noite, uma estrela, um navio a distância, um vaga-lume, um cometa,um poste visto de cima.
Entusiasmado com o resultado, o professor fez a mesma experiência no terceiro colegial:
- o que é isso?
- são as fuligens do giz que você bateu na lousa.
- nossa! Os alunos do terceiro tinham perdido a criatividade!
- o contato com as ciências exatas os pôs de olhar apenas para fora de si mesmos;
- na resposta deles, não faltou motivo e conseqüência: bateu na lousa, ficou a marca do giz.
- balanças de um só prato.
- se no terceiro, eles já estão assim, que dizer dos intelectuais?
- assim, a cultura atua como um trauma.
- como assim ?
- a cultura tem origem no mundo do movimento; quando entra em nós, aí é o repouso; ela precisa ser liberada, passada adiante; não o sendo, o movimento de que é portadora passa a atuar na área do repouso, criando sérios conflitos.
- verdade. O ser humano é o agente da cultura; toda cultura tem de se relacionar com seu agente.
Diabete - Complemento (Em 07/04/2006)
Um diabete congênito é efeito de sonegação consciente de um saber. Por isso o Cristo a firma: Dei-vos a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai Jo 15,15
Cristo passou tudo adiante; nada reteve do que recebera.
Algumas considerações são necessárias para entendermos bem o problema:
Aqui na terra, tudo é movimento, pensamento;
Do lado além da terra, é o repouso: ausência de pensamento; ausência de movimento.
Do lado de cá, eu posso saber muito, aqui é o âmbito do aprendizado. Eu sou depositário consciente de um saber; ele veio do mundo do movimento, conduzido por uma carga energética, para minha interioridade em repouso.
Eu então preciso passar adiante o que eu sei; se eu não passar adiante o que eu sei, com o tempo, meu saber se agita dentro de mim como um trauma.
Se eu não passei adiante o meu saber, meu espírito precisará voltar. Quando o espírito volta, traz as energias de meu saber; elas se acumulam no pâncreas agitando o ambiente. Daí certas deficiências pancreáticas congênitas.
Uma agravante: quando o espírito volta, ele perde a consciência e se esquece de tudo; as energias de meu saber sonegado atuam em meu pâncreas como uma ferida.
Cristo passou tudo adiante; nada reteve do que recebera.
Algumas considerações são necessárias para entendermos bem o problema:
Aqui na terra, tudo é movimento, pensamento;
Do lado além da terra, é o repouso: ausência de pensamento; ausência de movimento.
Do lado de cá, eu posso saber muito, aqui é o âmbito do aprendizado. Eu sou depositário consciente de um saber; ele veio do mundo do movimento, conduzido por uma carga energética, para minha interioridade em repouso.
Eu então preciso passar adiante o que eu sei; se eu não passar adiante o que eu sei, com o tempo, meu saber se agita dentro de mim como um trauma.
Se eu não passei adiante o meu saber, meu espírito precisará voltar. Quando o espírito volta, traz as energias de meu saber; elas se acumulam no pâncreas agitando o ambiente. Daí certas deficiências pancreáticas congênitas.
Uma agravante: quando o espírito volta, ele perde a consciência e se esquece de tudo; as energias de meu saber sonegado atuam em meu pâncreas como uma ferida.
Arte (Em 07/04/2006)
A arte é a projeção da sabedoria em constante movimento nas profundezas humanas; a flor é apenas flor; se é bela, é porque motiva sintonia do ser humano com uma sabedoria que lhe é interior.
A arte tem raízes nos páramos do inconsciente humano, lá onde o artista se depara com o núcleo formador de suas aspirações e de onde procura trazer um valor que transcenda a realidade, buscando exprimi-lo com a força de seu talento.
Assim, extraída da intimidade, a arte é capaz de sensibilizar os mais variados níveis de consciência porque se origina de uma fonte comum; por isso ela se insinua na intimidade de cada pessoa, despertando identidades que o próprio observador ignorava em si mesmo.
Entende-se por que a arte possui força catártica: ao longo do tempo o observador esteve às voltas com inquietações em seu interior: a sabedoria desejosa de exprimir-se; súbito ele se depara com o halo de suas inquietações concretizado naquela realidade artística; a afinidade gera um certo impacto; é a catarse.
Já o artista é atraído por forças inconscientes, mas ele possui a prática de descer e, na medida em que mais desce em si mesmo, mais vai sintonizando a fonte emissora de suas aspirações; a catarse então é feita em duas etapas:
- extraindo do inconsciente os valores de sua inquietação artística;
- travando em seu interior, uma luta por dar forma elevada ao real de sua inspiração.
Não raro, ele olha sua obra de arte e só vê defeitos, naquilo que só vemos qualidades, exatamente porque permanecem nele aspectos inexprimíveis da realidade que lhe ia pela alma no momento criador.
A questão é: se o artista desce em si mesmo e o místico desce em si mesmo, por que o artista não é necessariamente um místico, já que muitos foram de vida desesperada? A diferença está no objetivo por que cada um desce; o artista é atraído pelas forças de inspiração; atraído pela fonte de onde promanam suas inquietações; o místico, por nenhum objetivo; atira-se no vazio de sua abdicação.
A arte é dom de colher no silêncio, porque só pelo silêncio se encontra a sintonia; mesmo quando o artista fala, a arte se expressa pelo que está por trás da palavra; de seu silêncio emana o gesto criador.
A arte tem raízes nos páramos do inconsciente humano, lá onde o artista se depara com o núcleo formador de suas aspirações e de onde procura trazer um valor que transcenda a realidade, buscando exprimi-lo com a força de seu talento.
Assim, extraída da intimidade, a arte é capaz de sensibilizar os mais variados níveis de consciência porque se origina de uma fonte comum; por isso ela se insinua na intimidade de cada pessoa, despertando identidades que o próprio observador ignorava em si mesmo.
Entende-se por que a arte possui força catártica: ao longo do tempo o observador esteve às voltas com inquietações em seu interior: a sabedoria desejosa de exprimir-se; súbito ele se depara com o halo de suas inquietações concretizado naquela realidade artística; a afinidade gera um certo impacto; é a catarse.
Já o artista é atraído por forças inconscientes, mas ele possui a prática de descer e, na medida em que mais desce em si mesmo, mais vai sintonizando a fonte emissora de suas aspirações; a catarse então é feita em duas etapas:
- extraindo do inconsciente os valores de sua inquietação artística;
- travando em seu interior, uma luta por dar forma elevada ao real de sua inspiração.
Não raro, ele olha sua obra de arte e só vê defeitos, naquilo que só vemos qualidades, exatamente porque permanecem nele aspectos inexprimíveis da realidade que lhe ia pela alma no momento criador.
A questão é: se o artista desce em si mesmo e o místico desce em si mesmo, por que o artista não é necessariamente um místico, já que muitos foram de vida desesperada? A diferença está no objetivo por que cada um desce; o artista é atraído pelas forças de inspiração; atraído pela fonte de onde promanam suas inquietações; o místico, por nenhum objetivo; atira-se no vazio de sua abdicação.
A arte é dom de colher no silêncio, porque só pelo silêncio se encontra a sintonia; mesmo quando o artista fala, a arte se expressa pelo que está por trás da palavra; de seu silêncio emana o gesto criador.
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