quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Indio (Em 24/11/2006)

Um índio costumava dizer que dentro dele habitavam dois cachorros que viviam sempre brigando por terem naturezas diferentes. Certa vez lhe perguntaram quem venceria a briga. Ele respondeu:

- aquele que eu alimento mais.

As brigas se passavam dentro do índio; um deles levava os costumes assimilados no movimento para o lugar de repouso; o movimento se instalava em lugar inadequado; como não perdia sua condição de se movimentar, ele perturbava o outro.

A fé em nós mesmos, a coragem, a garra também se vêem atormentadas por esses cachorros. Eles agem assim: procedentes do mundo do movimento, agitam o ambiente de repouso, dentro de nós e nos tornamos extremamente conflituosos, inseguros, medrosos e, com isso eles são alimentados.

Do ponto de vista da interioridade e exterioridade, o ideal é que os dois cachorros sejam alimentados na mesma proporção; dessa forma, os opostos se equilibram e ganhamos luz e consciência.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Aniversário (Em 17/11/2006)

Um aninho. É verdade; este blog fez um ano, com quase uma centena de assuntos. Um crítico que me lesse os textos diria que sou um alienado: não trato de folclore, criança carente ou peixe-boi; não vivo o Brasil.

O Brasil é formado por homens; os homens decidem sobre o destino da nação; então o objetivo deve ser o de formar os homens que formem a nação. Uma nação também tem interioridade na soma das interioridades de seus filhos; se não se trabalha a interioridade da nação, haverá pobreza; haverá um desgaste, porque outras nações trabalham a vida interior dos seus e eles serão mais completos nas disputas de toda espécie. Entre nós, os homens estão confinados em seus escritórios; não perceberam as dependências de descanso na própria sala.

Meus textos abordam exatamente essa área esquecida, onde se instalam os grandes silos de fornecer alimento para reflexão. Conduzir-se para dentro de si mesmo não significa que o homem deva abdicar de suas lides de cada dia; ele precisa ter sucesso, projetar-se e é natural que assim o seja; meu objetivo é somar, não subtrair; se o homem vale mais quanto mais tem, por que não acionar os valores de dentro para ter mais?

Uma segunda crítica diria que sou pretensioso no imaginar pessoas interessadas nesses assuntos. É certo que, sem eles, a defesa da mente humana seria menor; pelo tema que abordam, juntam-se a outros esforços no mundo por alcançarem uma conscientização de que nossa realidade é de dupla natureza.

O que se discutiu nesses artigos? As duas dimensões do homem. Foi um apelo; precisamos acordar para essa realidade.

Um barco remado com um só remo, gira em torno de si mesmo; não avança; assim somos nós: atuando apenas pelo lado de fora de nós mesmos, a mente não avança: apenas circula atraída por um buraco negro que suga sobre nós o tempo e nos reduz a nada; todo esforço despendido pelo homem é vazio se ele atua com um só remo, de um só lado de sua natureza.

O homem só marca ponto na direção de seu destino quando trabalha as duas dimensões de seu ser, atuando do lado de fora, nas lides de cada dia e pelo lado de dentro de si mesmo, buscando se enquadrar no âmbito da justiça, da verdade, da sabedoria.

Do ponto de vista da formação integral do homem e por mais avançada que esteja, a ciência não tem contribuído para que o homem conheça um pouco de si mesmo; meus textos correm na direção de mostrar a necessidade desse conhecimento. A ciência liga o fato concreto com outro fato concreto e isso é lidar com um só remo: a ciência avança, mas em torno de si mesma, apoiando-se em fatos científicos similares, de um só lado do barco.

Aquele fazendeiro ganhava todos os concursos de produção de milho. Qual o segredo? Distribuía os grãos maiores de seu silo entre os concorrentes e explicava:

- O vento carrega o pólen das sementes de milho; o pólen conduzido nutre todas as espigas da espécie; se receberem pólen de sementes inferiores, minhas sementes também se tornarão inferiores.

Também nós; se não distribuirmos os grãos bons de nossa colheita, ela murcha e a produção será raquítica porque, do lado de fora é o sol, o movimento que dissipa os valores da produção; eles precisam ser passados para outras consciências, mesmo sem concorrerem a qualquer prêmio; o prêmio está no ato de passar.

Esse fazendeiro era depositário da boa semente e não a retinha; aprendamos com ele: se temos a semente de nossa vida interior, precisamos passá-la e outros para que robusteçam a plantação.

Agradeço sobremaneira aos que lêem estes textos. Continuarei escrevendo para ser presença aos que passam, se quiserem deixar algum recado, serão bem vindos. Será a forma de eu me perceber distribuindo a boa semente, sem me esquecer da parábola do semeador que saiu a jogar suas sementes pelos quatro tipos de solo. Queira Deus que eu encontre pelo menos um desses solos onde a semente de meus textos possa encontra ambiente de se desenvolver.

Sem ilusão, mas com persistência, eu continuarei na esperança de que a semente encontre algum terreno onde vicejar.

A memória (Em 10/11/2006)

A mente é composta de três atributos: memória, razão e inteligência.

Nós estamos utilizando maciçamente a memória; mas a memória atua apenas no plano horizontal passado e futuro; passado e futuro são realidades fora de nossa realidade; por estarem fora de nossa realidade, passado e futuro nos causam euforia ou temor, pelas profecias tecidas pela mente.

Quando nos utilizamos da memória, a mente se desloca de nós para o lugar onde o acontecimento se verificou e no tempo em que se verificou; nós ficamos como que esquecidos; fora da aplicação que estamos operando.

A mente retorna e não traz qualquer vínculo com o acontecimento de que se ocupou; o fato se dilui; é história; não é de meu tempo; eu nada posso alterar. O que eu posso fazer a respeito de um homem chamado Adão que foi expulso de um certo paraíso? Já faz uns três mil anos ou mais e ninguém consertou, não serei eu que vou consertar!

A utilização exclusiva da memória nos torna acomodados, indiferentes, insensíveis, omissos, alienados, medrosos, inseguros, sem imaginação, sem criatividade, intransigentes, donos da verdade.

A memória é atributo de primeiro grau; a razão de segundo e a inteligência de terceiro grau. Inteligir é relacionar, interligar, interpretar.

A memória precisa ser complementada pela inteligência. A memória destacando o fato; a inteligência relacionando esse fato também, com nossa vida interior.

Assim perceberíamos que Adão é nosso espírito e esse paraíso, nossa interioridade; pelo uso abusivo da memória, nosso espírito fica tão distanciado de nós quanto Adão.

Como não se relacionam os assuntos estudados com o ser humano, inteligir passou à condição de apenas relacionar coisa com coisa, espécie com espécie; o prefixo “in” perdeu o conteúdo de interiorização, aprofundamento vertical.

É só observar os conferencistas, os professores, os oradores; eles conduzem suas abordagens pelo âmbito da memória e, quando relacionam, relacionam coisa com coisa; a formação do homem fica relegada.

Veja isso na faculdade: o catedrático indica 10 ou mais livros; qualquer participação do aluno nos debates tem de ser fundamentada naqueles livros e o estudante fica à margem do próprio estudo, porque sua condição humana não é considerada.

São sete os atributos de que o ser humano pode se utilizar: memória, razão, inteligência, verdade, justiça, amor e sabedoria. Nós estamos emperrados ainda no primeiro atributo.

O defeito não está na memória; o defeito está na preferência com que a utilizamos; a solução não é descartar o atributo da memória; a solução é incluir os demais.

A memória (Em 05/11/2006)

A mente é composta de três atributos: memória, razão e inteligência.

Nós estamos utilizando maciçamente a memória; mas a memória atua apenas no plano horizontal passado e futuro; passado e futuro são realidades fora de nossa realidade; por estarem fora de nossa realidade, passado e futuro nos causam euforia ou temor, pelas profecias tecidas pela mente.

Quando nos utilizamos da memória, a mente se desloca de nós para o lugar onde o acontecimento se verificou e no tempo em que se verificou; nós ficamos como que esquecidos; fora da aplicação que estamos operando.

A mente retorna e não traz qualquer vínculo com o acontecimento de que se ocupou; o fato se dilui; é história; não é de meu tempo; eu nada posso alterar. O que eu posso fazer a respeito de um homem chamado Adão que foi expulso de um certo paraíso? Já faz uns três mil anos ou mais e ninguém consertou, não serei eu que vou consertar!

A utilização exclusiva da memória nos torna acomodados, indiferentes, insensíveis, omissos, alienados, medrosos, inseguros, sem imaginação, sem criatividade, intransigentes, donos da verdade.

A memória é atributo de primeiro grau; a razão de segundo e a inteligência de terceiro grau. Inteligir é relacionar, interligar, interpretar.

A memória precisa ser complementada pela inteligência. A memória destacando o fato; a inteligência relacionando esse fato também, com nossa vida interior.

Assim perceberíamos que Adão é nosso espírito e esse paraíso, nossa interioridade; pelo uso abusivo da memória, nosso espírito fica tão distanciado de nós quanto Adão.

Como não se relacionam os assuntos estudados com o ser humano, inteligir passou à condição de apenas relacionar coisa com coisa, espécie com espécie; o prefixo “in” perdeu o conteúdo de interiorização, aprofundamento vertical.

É só observar os conferencistas, os professores, os oradores; eles conduzem suas abordagens pelo âmbito da memória e, quando relacionam, relacionam coisa com coisa; a formação do homem fica relegada.

Veja isso na faculdade: o catedrático indica 10 ou mais livros; qualquer participação do aluno nos debates tem de ser fundamentada naqueles livros e o estudante fica à margem do próprio estudo, porque sua condição humana não é considerada.

São sete os atributos de que o ser humano pode se utilizar: memória, razão, inteligência, verdade, justiça, amor e sabedoria. Nós estamos emperrados ainda no primeiro atributo.

O defeito não está na memória; o defeito está na preferência com que a utilizamos; a solução não é descartar o atributo da memória; a solução é incluir os demais.

Súplica (Em 05/11/2006)

Senhor, ensina-me qual a orientação que devo dar a meu espírito.

Se ele segue apenas com o que aprendeu em vida Pai, o que ele aprendeu?

Se não aprendeu, o que aprender?

Fora deste plano, ele se despoja de corpo e alma?

Como se manter tão limitado?

Ensina-me meu Pai, a discernir o melhor para meu espírito.

Eu não tenho acesso às leis que gravaste em meu coração; saí de lá sem saber.

A solução é voltar? Como voltar?

Ou aqui de fora eu posso saber sobre essas leis?

Conduzir meu espírito de fora para dentro a ler no coração.

Está certo?

Fora deste plano, o espírito é encaminhado conforme os dons que desenvolveu na terra?

Quais são esses dons? Se são desenvolvidos por opção, com que critério ele optou?

Que discernimento ele tinha para optar por esse ou aquele dom? E se ele não optou por nenhum?

Que visão lhe faltou para desenvolver-se mais?

Eu nada quero, nada pleiteio senão tua sintonia por meu espírito, Pai.

Ou esse querer ainda é um querer que retém o espírito?

A Consciência Divina está solta em todo espaço; em nada se apega; nada a sustenta.

É assim que tenho de viver, quanto mais solto?

Se estar solto é estar vazio, quanto mais vazio, mais plenificado pela consciência?

O que o espírito precisa fora deste plano é de mais consciência?

Pela consciência, todos os atributos se tornam disponíveis? É isso?

Para estar em qualquer plano, Pai, o que vale é o nível de consciência?

Mas ainda resta uma dúvida Pai, como adquirir consciência?

A consciência em mim é inativa?

Como ativá-la por meu espírito?

Pelo silêncio das vozes de dentro, alcançar o silêncio interior?

Ou só o vazio basta a meu espírito.

Se o espírito não dispuser de alma nem de corpo, a consciência lhe será tudo?

Se para adquirir consciência eu preciso esvaziar-me, quanto mais vazio, mais livre para entrar no imenso balão vazio da consciência?

Sê-me propício, Senhor.

Texto - suporte (Em 27/10/2006)

Escreva ou pesquise um texto curto sobre assunto com o qual você se identifica; decore-o; e recite todo dia; com o tempo, você irá incorporando a seu texto situações que vai vivenciando; seu texto vai crescendo e você passa a dominar bem um assunto; pelas relações que ele estabelece assim se forma um homem culto.

A palavra “cultura” está em nosso inconsciente, relacionada à agricultura e somos induzidos a pensar em cultura de trigo, de algodão, de cana e muitas outras culturas.

Para que você alcance essa cultura, terá de cavar a terra, plantar a semente regar e esperar os frutos de sua plantação; o mesmo se dá com seu texto: cavar a terra é buscar, dentro de si mesmo, a identidade com o texto de sua escolha; plantar a semente é introduzir o texto em você mesmo, decorar; regar é repetir o texto constantemente.

Não raro, você precisa colocar adubo, eliminar algum parasita, também no nosso texto o adubo são as relações que você vai estabelecendo entre suas vivências e seu texto; já os parasitas são aquelas atitudes, aqueles expedientes que não encontram respaldo no conteúdo de seu texto.

Um homem culto é aquele que plantou em si mesmo um saber e agora esse saber aflui com idéias que não raro, surpreendem a ele mesmo.

A essas respostas que vêm de dentro Fernando Pessoa chamava de “ressonâncias”, caixa de ressonâncias, a perfeita identidade da realidade de fora com nossa realidade interior. Charles Baudelaire se referia a elas como sendo as “correspondences”, relações de dentro e fora.

Se você estuda letras, dedique-se, com afinco, ao estudo da Semântica. A Semântica estuda as intenções, aquilo que não foi dito, mas que você percebe por trás do que é. Estudar Semântica é plantar a semente; ela com certeza dará frutos excelentes.

Qualquer estudo partiu do homem para as coisas; então a base de todo estudo está no homem. Toda ciência tem um postulado base; esse postulado é que deve ser muito bem sabido na ciência a que você se dedica; dele partiram as relações; se essas relações foram estabelecidas de dentro para fora do homem, agora você pode reconstituí-las de fora para dentro.

Você pode estudar diversos assuntos para atender suas lides profissionais, estudantis; mas você deve ter um texto seu de sua vivência, de seu refúgio, para recitar no ônibus, no avião, onde quer que esteja, de tal modo deve sua persistência que já se passaram vinte, trinta anos e você continua buscando novas relações com seu texto.

Você poderá me argüir: mas esse texto não perde a atualidade? Se você cavou a terra antes de plantar, o texto não perde a atualidade porque a interioridade humana não muda; o que mudam são as teorias ao redor dela.

Um texto bem plantado, que já alcançou o inconsciente é o melhor dos guias, o amigo sempre presente onde você estiver.

Pense nisso e aja a seu favor.

Texto suporte - complementação (Em 27/10/2006)

Os chineses plantam sementes de bambu; depois de plantada, a semente permanece por cinco anos sedimentando suas raízes na verticalidade da terra, sem que nada seja visto; todo o crescimento é subterrâneo; cinco anos depois ele cresce até atingir a altura de 25 metros.

Viu? É assim que se planta um texto: o bambu fura o chão à procura de umidade; o texto fura o inconsciente à procura da consciência; assim que a alcance, não precisará de cinco anos, seu texto será o fio condutor interno; algo que canaliza as boas idéias com que você se superar em qualquer atividade.