quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

“O que é a Consciência?” – 2/6 ( Em 25/11/2008 )

             Pergunta de um amigo; como é de interesse geral, prefiro aventurar uma resposta a que todos tenham acesso.

Definir uma entidade é atribuir-lhe um fim, um limite; a Consciência não tem limites. Podemos dar algumas informações sobre ela; isso é possível.
A Consciência é o princípio de tudo; nada mais além da Consciência. Por emanação sua, fez-se o caos, a escuridão, os espaços vazios. Mais tarde, a Consciência fez emanar de si mesma:
- a energia do repouso
- os atributos de: sabedoria, verdade, justiça e amor.
            A Consciência é o Pai; o Pai previu que era preciso pôr ordem no caos sob duas maneiras:
a – ordenar o universo.
b – ordenar o homem.
Para essa diligência, a Consciência fez emanar de si mesma: 
- a Mente
- a energia do movimento
- os atributos da Mente: memória, razão, inteligência.
Como você percebe amigo, da Consciência tudo foi gerado; daí a condição de Pai a que as religiões se referem; a Mente é o Filho, emanado da Consciência. 
            A esta altura, você está perguntando:
- mas, quem fez a Consciência?
            Amigo, a razão é limitada às coisas concretas. Não é possível auscultar o mundo do abstrato com instrumentos concretos. É como querer subir ao décimo andar de um prédio, com uma escada que só alcança o terceiro.
            Voltemos à Consciência; ela ocupa todos os lugares vazios, desde o interior de um átomo até os intervalos entre galáxias.
            Como a Consciência está em repouso e não age, fez emanar de si mesma a alma. A alma é a Consciência desperta, atenta. Isso só acontece no ser humano. A alma atua com os mesmos atributos da Consciência. No ser humano, a alma está em repouso; não age; apenas reage conforme nossa vontade, emitindo energia do repouso.
            A Consciência está em repouso; a Mente está em movimento; as duas estão em condições opostas.
Como a Mente se afastou da Consciência, cabe ao ser humano conduzir a Mente de volta ao encontro do Filho com o Pai.
            Do encontro das duas, nascerá a Luz; seremos luz.

Carta ao Neyl – 3/6 ( Em 15/11/2008 )

             Meu prezado amigo, você quer saber se, com a descida à região da alma tudo se anula, “como ficam os sentimentos egóicos”?
Você disse bem: eles ficam; não descem porque o egoísmo existe como necessidade de afirmação aqui, do lado de fora, diante dos outros; não podemos ser egoístas com nós mesmos; nosso egoísmo se exacerba quando alguém quer o nosso lugar na escala das aparências. Mas isso Neyl, acontece do lado de fora de nós, a ponto de nos impormos aos outros pela força, se preciso for, desde que nosso egoísmo prevaleça.
Quando descemos com a mente, todo o egoísmo se dilui, desaparece porque abdicamos dos bens de fora; queremos viver na harmonia dos bens de dentro e isso só alcançamos pela quietude interior.
Estar quieto não significa deixar de trabalhar, exercer as funções sociais, políticas, econômicas; estar quieto é manter a mente interiorizada toda vez que puder. Quando a mente se interioriza, fica mais lúcida porque passa a contar com os atributos da alma; é o que chamamos de terceira visão; a lucidez na análise das coisas. Quem é lúcido pela consciência deixou para trás qualquer sentimento egóico, que isso é do ego; não é do Eu.

Carta ao Cauê – 4/6 ( Em 25/11/2008 )

            Meu prezado Cauê; você faz considerações sobre o Cristo, se existiu, se a igreja católica apenas queria ibope e vai por aí.
Este blog não se ocupa de aspectos externos, históricos; este blog não visa a comprovar, senão a esclarecer sobre assuntos relacionados com a condição humana hoje, aqui e agora.
Quando nos prendemos à memória, não chegamos a nenhuma conclusão; não é função da memória concluir. Pela memória, olhamos para o passado e nos esquecemos de nós mesmos. Pela memória somos estranhos em nossa própria casa.
A memória nos puxa para o passado e ali permanecemos absolutamente distanciados de nossa realidade. A memória é atributo de primeiro grau. Lembra?: A professora diz ao aluninho:
- decore esta poesia e venha recitá-la daqui a quinze dias, na frente da classe.
O menininho vai lá e arranca aplausos dos colegas. E tudo é lindo. A professora está correta.
A memória é atributo do primeiro grau; a razão do segundo grau e a inteligência do terceiro grau.
Hoje o que vemos é o terceiro grau preso à memória sem conseguir desatar o nó.
A memória Cauê, nos tira de nós mesmos. A utilização maciça da memória é um expediente bem urdido de manter os povos sem raciocinar, sem inteligir.
Quando você discute sobre os acontecimentos como os de que tratou em sua mensagem, você está se deixando levar por aqueles que construíram essa arapuca de não estimularem você a pensar nos fatos presentes, na vida presente.
Se você quer falar de Napoleão Bonaparte, sua mente se desloca e vai para o lugar de que fala, talvez a ilha de Santa Helena, casinhas brancas, ruelas e o mar por todo lado. Observe que a mente não está em você; está lá na ilha; você aqui fica desguarnecido, sem proteção, a casa vazia.
Você menciona o Fernão Capelo Gaivota, veja que o Fernão não vai buscar na história de seu povo nem entre os colegas de vôo como fazer essa ou aquela curva; essa ou aquela subida. Ele tira sempre de si mesmo os resultados de que precisa para alcançar seus ideais, cada vez mais altos.
Assim será conosco Cauê, teremos de tirar tudo de nós mesmos, porque em nós está todo o saber de que precisamos.
Faça um exercício; fixe sua memória num fato histórico como o julgamento de Sócrates, por exemplo; perceba que sua mente se desloca; você entre os da arquibancada. Dali você ouve, você vê e se exalta contra ou a favor das decisões que se tomam.
Mas seu corpo está aqui; apenas a mente se deslocou e seu corpo está parado, sem perceber que o tempo passa. Isso é um desastre para nossa edificação.
A mente precisa ser conduzida na direção do coração; só aí encontrará o desapego de todos essas lances que a história guarda e nos quais nos apegamos como aquele visco com que pegávamos passarinhos na infância.

Mente – 5/6 ( Em 25/11/2008 )

           Quem lida com os planos internos do ser humano está sempre trabalhando nos limites de sua verdade, até onde a mente alcança; não significa que esses limites sejam definitivos, o ponto terminal. O fato de alcançar o limite, pode criar condições para se vislumbrem novos horizontes além e então aquilo que era o limite se dilatou; ganhou extensão.
A mente é um desses atributos em cujo limite buscamos trabalhar à busca de facetas novas, que ela vai desvendando; como se fosse um planeta que vai girando em torno de si mesmo e apresentando novos contornos.
A mente atua no movimento com três atributos: memória, razão e inteligência. É o Filho que emanou do Pai para pôr ordem no caos.
O caos o qual a mente foi encarregada de pôr ordem é o caos no ser humano. O ser humano perdido no espaço, apegado a uma terra tão pequena quanto um grão de nada no infinito vazio.
A mente emanou da Consciência como previsão para pôr-nos no caminho de volta à Consciência. Entre nós, o emaranhado é tão grande que ela mesma se perde e precisa contar com nossa vontade para orientá-la no retorno a suas origens.
O que significa essa emanação do Pai?
Quando uma criança nasce, estão nela as três Entidades: o Pai, a Consciência, o Filho, a mente; e o Espírito Santo, a Luz decorrente de estarem harmonizadas Mente e Consciência. Conforme a criança de desenvolve, a mente vai se retirando do contato com a Consciência; conforme a mente vai se afastando da Consciência, a Luz vai se apagando, a mente entra nessa confusão que bem conhecemos; emanação do Pai é isso: a mente afastando-se da Consciência; nós precisamos imbuir-nos da Consciência de que devemos conduzir nossa mente de volta à casa do Pai.
            Por que a mente se afasta da Consciência? Porque nós nascemos com um defeito de fecundação de que já falei por essas páginas; nossa fecundação foi egoísta; cabe a nós fazermos a correção.
Você já viu? Quando uma nave sobe ao espaço, foguetes menores vão sendo disparados para corrigir a trajetória. Já viu? Aquilo serve de representação do que acontece com nossa mente: a vontade, o esforço, a persistência são aqueles foguetes menores que vão adaptando a mente à direção de seu destino.
 

Amor não correspondido – 6/6 ( Em 25/11/2008 )

            Amor não correspondido não é amor. Esse “amor” que se amarra ao outro, à outra pode ser qualquer coisa, menos amor. Ao contrário, o verdadeiro amor quer a liberdade do outro; o verdadeiro amor nada quer para si; o verdadeiro amor não faz do outro instrumento de resolver pendências de qualquer natureza; o verdadeiro amor não se concentra em si.
Os casais podem dizer-se que se amam em suas urgências, mas isso é urgência, premência; não é amor; o amor é sereno; não frustra mingúem. O verdadeiro amor quer o amado perto de si apenas para protegê-lo, não para tirar proveito de sua presença.
Diz-se que o amor é cego; é cego para que não tenha em que se apegar; é cego porque sem ver o outro, não discrimina; não distingue; apenas se afina.
Se eu penso nela movido por necessidades minhas, isso não é amor; por mais intensas que sejam minhas chamas; se eu penso nela porque busco nela o alívio de minhas tensões; eu estou preso a minhas tensões, não estou preso a ela, senão a minhas tensões.
A mãe nada pede para si; quer apenas o que faz a felicidade do filho; procura o filho esquecida de si, pelo bem do filho; isso é amor.
Aquele homem que se atirou às ondas para salvar os três, nada queria em troca; morreu praticando um ato de amor.
Amor não é um fogo que arde sem se ver. O amor não arde, não machuca, o amor se instala no coração quando está vazio de qualquer querer.
Se eu quero ser correspondido, é porque estou amando o meu amor e quero que ela  tire meu amor de mim mesmo e o transfira para ela; ela passa a ser o lenitivo de meu querer. Isso nada tem a ver com amor. Meu amor não é correspondido porque não se fixa nela; fixa-se em mim mesmo; em minha frustração ferida; em minha mente desordenada. Meu amor é de mão única. Este tipo de amor pode conduzir a situações assim:
Ela era o sonho de minha vida, porém nada mais quis comigo; eu dei um tiro nela porque a encontrei com outro; não quis que a pessoa a quem eu tanto amava fosse feliz. Meu amor era tão intenso que eu perdi o rumo e fui viver atrás das grades...
            O amor não correspondido enreda por essas vias de tantas torturas...

Minha querida, – 1/6 ( Em 17/11/2008 )

            Talvez você não tenha percebido que nossas correspondências estão bloqueadas. Avalio sua decepção... Temos de nos exercitar na prática do perdão, querida; logo eles se cansam, que só a virtude é perseverante.
Ficou-me, no entanto, o relato de seus sofrimentos; seus aturdimentos e zumbidos cujas causas os médicos não conseguem detectar; eles não atinam que elas podem ter origens além. Você me relatou a dedicação aos doentes, alguns terminais, ao longo de 12 anos e detalhou suas aflições de se sentir cerceada, encontrando lenitivo apenas na prática da caridade.
De fora, observo, no entanto, que esse afã não está rendendo benefícios a que você faz jus; ao contrário: a caridade está resultando em mais tumultos para sua mente.
Estranho paradoxo, não!
Veja bem, eu não quero dizer que você não pratique a caridade. Quero mostrar-lhe que, paralelamente com a caridade, você precisa tomar outra providência.
A caridade excessiva, sem essa providência pessoal, acaba aumentando a confusão mental, o desassossego a que você está submetida e pelo qual está passando.
Você pratica a caridade e recebe de volta as energias do bem que está fazendo; mas essas energias, quando voltam para você, não têm lugar apropriado para se armazenarem; elas ficam misturadas com aquelas energias dos zumbidos e das vozes internas.
As energias do retorno, que deveriam ser o lenitivo, a recompensa de seu esforço, estão misturadas às algazarras do inconsciente. O inconsciente não deixa que elas passem para a alma; o inconsciente bloqueia a passagem delas para a alma e as envolve na confusão.
É como se você abrisse uma vala do lago para sua casa e não preparasse uma saída quando a água se excedesse; ela está inundando sua casa.
Apenas pela meditação, essas energias de retorno são assimiladas corretamente e a caridade completa seu ciclo de ser caridade também para você.
Um abraço de quem ama os que sofrem.

Aniversário ( Em 17/11/2008 )

           Dia 20/11 este blog completa três anos... Imaginei que não houvesse o que esperar e me percebo rodeado de vozes amigas questionando-me com assuntos  que só enriquecem essas páginas; reitero a afirmação de que elas não são minhas; são de quem as lê e delas tira algum proveito. Não há como agradecer a todos, senão me esforçando para fazer melhor.
A dedicação a ele é integral e não sobra tempo para mais fazer como eu gostaria; como você merece. Estou feliz com o que posso e consciente do que posso; já são mais de 500 (quinhentos) textos, variações sobre a condição humana.
Um agradecimento especial à Professora Marielza Kato, Coordenadora Pedagógica; entusiasta dessas linhas, ela abriu uma página no portal da Faculdade, como extensão do Blog, onde escrevo dois artigos por semana e cuja freqüência de leitores é de enrubescer. Ainda a Professora Marielza determinou que excertos de meus textos constassem entre os da prova de Língua Portuguesa nos vestibulares da Faculdade, o que me honra sobremaneira.
Não menos auspiciosa é a freqüência dos leitores às páginas do blog, seus comentários e sugestões. Isso me faz imaginar que os textos estão encontrando eco na intimidade de cada um.
            Muitos se desculpam “pelos erros de Português”, como se fosse eu censor de alguma coisa... Meu querido, minha querida, escreva. O mais importante é você discutir sobre o que pensa. Confio nos planos superiores que não deixarão você sem uma resposta, já que os assuntos sobre os quais escrevo não existem em livro; pelo menos pelo que sei, é muito difícil encontrar aplicação sobre os níveis de energia, conciliação dos contrários, consciência e mente, dentro e fora do ser humano de que tratam essas linhas. 
            Seria uma longa lista de agradecimentos a todos os que me lêem; eles me enviam suas energias com que eu possa dar prosseguimento a essas idéias com as quais, se você se identifica, eu faço a catarse.  
            Muito obrigado e até o próximo ano; quem sabe... lá mencionarei seu nome como o daqueles que se esforçaram por difundir essas páginas, pelo menos indicando os meios de como se pode alcançar o grande público. Abraços.